Ajuda Externa Brian Hayes: "Quando um país quer voltar aos mercados não pode estar a falar em reestruturação de dívida"

Brian Hayes: "Quando um país quer voltar aos mercados não pode estar a falar em reestruturação de dívida"

O representante do Ministério das Finanças irlandês no estrangeiro Brian Hayes considera que Passos Coelho tem razão ao rejeitar o manifesto de 70 personalidades, que defende uma reestruturação da dívida portuguesa.
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Filipa Lino 12 de março de 2014 às 12:06

"Quando um país quer voltar aos mercados não pode estar a falar de reestruturação de dívida", disse o membro do governo irlandês na conferência Portugal Pós-Troika, promovida pelo Jornal de Negócios e pela Rádio Renascença.

 

Brian Hayes defende que essa mensagem não agrada aos mercados. O secretário de Estado das Finanças de Irlanda explicou como foi tomada a decisão de uma saída "limpa" do programa de ajustamento. 

 

"Levámos tempo a decidir", disse Brian Hayes. O governo irlandês falou com várias entidades, afirmou, entre elas a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. As opiniões que o executivo foi ouvindo pendiam para uma saída com um programa cautelar mas o Conselho Orçamental queria uma saída "limpa", revelou. 

 

"Num programa cautelar pagamos um seguro", afirmou. Algo que a Irlanda não precisava uma vez que tinha acumulado fundos nos cofres do Estado. "Nós já tínhamos depósitos em dinheiro substanciais. Estavam lá para quando fossemos para o mercado", referiu. 

 

Brian Hayes disse que o governo sabia que nos primeiros meses tinha que apostar numa mensagem forte para os mercados. Era preciso mostrar que havia reservas de dinheiro. 

 

E sublinhou que houve também dois pontos a favor da Irlanda. Por um lado havia um governo de coligação entre os dois maiores partidos, o que possibilitava uma maioria parlamentar nos cinco anos seguintes. Por outro havia um acordo com os sindicatos da função pública. Os cortes de cerca de 30% nos salários em troca de não haver despedimentos. "Isso ajudou", disse Hayes. 

 

"Houve uma aceitação na Irlanda de que tínhamos um plano", afirmou. 




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