Ajuda Externa Governo alemão diz que “é possível” Portugal ter uma “saída limpa”

Governo alemão diz que “é possível” Portugal ter uma “saída limpa”

Porta-voz do Ministério das Finanças diz que os últimos desenvolvimentos jogam a favor de uma saída limpa do programa de ajustamento. Mas o responsável reitera que a Alemanha apoiará Portugal na escolha que for tomada pelo Governo.
Governo alemão diz que “é possível” Portugal ter uma “saída limpa”
Reuters

Cabe a Portugal decidir se deve solicitar um programa cautelar para o pós-troika, mas o Governo alemão entende que o país tem condições para seguir os passos da Irlanda e optar por uma “saída limpa” do programa de ajustamento.

 

A ideia foi transmitida à Bloomberg pelo porta-voz do Ministério das Finanças alemão, Martin Chaudhuri. E representa mais um sinal de que o Governo de Ângela Merkel prefere que Portugal opte pela "saída limpa", em vez de solicitar um programa cautelar.

 

“Para a Alemanha, a melhoria das perspectivas económicas, o regresso da confiança dos mercados financeiros, bem como a boa implementação das reformas durante o programa de ajustamento reforçam a possibilidade de uma ‘saída limpa’”, refere Chaudhuri numa resposta, por e-mail, enviada à Bloomberg. O porta-voz do Ministério de Wolfgang Schäuble adverte contudo que na escolha deste caminho, Portugal terá que manter a política de reformas seguida até aqui.

 

A declaração de Chaudhuri surge em linha com as declarações proferidas a semana passada por Angela Merkel, quando se encontrou com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A chanceler alemã afirmou que caberia ao Governo português tomar a decisão final e que o Governo alemão apoiaria a escolha tomada.

 

O porta-voz do Ministério das Finanças reiterou que a “Alemanha continuará a apoiar Portugal”. O Governo português tem reiteradamente afirmado que mantém as duas opções em cima da mesa – programa cautelar ou “saída limpa” – e que uma decisão final só será tomada mais perto do fim do programa, previsto para 17 de Maio.

 

Merkel já tinha sinalizado preferência pela “saída limpa”

 

Na conferência de imprensa da semana passada, após o encontro bilateral com o primeiro-ministro, a chanceler alemã fez questão de sublinhar que a estratégia financeira para enquadrar o pós-troika é uma decisão que cabe ao Governo português, que ainda há tempo para ponderar os prós e os contras e que apoiará Lisboa na opção que tomar.

 

Angela Merkel acabou, no entanto, por sinalizar alguma preferência por uma "saída limpa", por oposição a uma linha de crédito cautelar, ao sublinhar o facto de a economia portuguesa ter "crescido mais do que se previa" e de estar a beneficiar de uma crescente manifestação de confiança dos investidores, reflectida na descida das taxas de juro nos mercados de dívida.

 

"É uma decisão que cabe ao Governo português e será tomada mais perto da altura [Maio], até porque sabemos como as coisas estão constantemente a mudar". "Apoiaremos qualquer que seja a decisão tomada por Portugal", assegurou a chanceler. Mas, acrescentou, "globalmente podemos dizer que houve desenvolvimentos muito positivos".

 

Uma saída limpa como a que acabou por ser a opção da Irlanda em Dezembro será o cenário preferido pela Alemanha, mas também por muitos outros países como a França e a Finlândia, porque é o que melhor corresponde ao regresso a uma relativa normalidade (e nessa medida, a um maior grau de êxito dos programas de ajustamento da troika) e porque evita que os Governos tenham de pedir autorização aos respectivos parlamentos nacionais para viabilizar o cenário alternativo da linha de crédito cautelar.

 

Opinião contrária manifestou Jörg Asmussen. O secretário de Estado do Trabalho do III Governo Merkel e antigo membro da comissão executiva do BCE, disse ao Negócios que a decisão cabe a Portugal, mas "como economista" recomenda ao Governo que peça uma linha de crédito cautelar à Europa e ao FMI para amparar o pós-troika.




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