Conjuntura Bem-estar económico dos portugueses face à média da UE atinge máximo de 2010

Bem-estar económico dos portugueses face à média da UE atinge máximo de 2010

Entre 2017 e 2018, o bem-estar económico dos portugueses melhorou mais do que a média dos cidadãos europeus, mas isso ainda não bastou para recuperar os valores anteriores à crise.
Bem-estar económico dos portugueses face à média da UE atinge máximo de 2010
Mariline Alves
Tiago Varzim 13 de dezembro de 2019 às 11:21
O bem-estar económico dos portugueses, medido pelo consumo per capita em paridades de poder de compra, melhorou para 82,9% da média da União Europeia em 2018, atingindo o valor mais elevado desde 2010 (86%), segundo os dados divulgados esta sexta-feira, 13 de dezembro, pelo Eurostat e INE. Já o PIB per capita, também em paridades de poder de compra, melhorou para 76,8% da média da UE, um máximo de 2011. 

O consumo per capita corresponde à despesa final em consumo em bens e serviços pelas famílias, incluindo as transferências sociais em espécie do Estado para as famílias. Ou seja, "constitui uma medida dos bens e serviços consumidos pelas famílias independentemente da sua aquisição ser ou não efetuada por ela", explica o Instituto Nacional Estatística (INE).

É, por isso, um indicador mais apropriado para refletir o bem-estar das famílias. O facto de estar em paridades de poder de compra significa que as estimativas estão ajustadas das diferenças de preços relativos entre os países da União Europeia. 

Neste indicador, Portugal figura melhor no ranking europeu do que no PIB per capita: continua no 16.º lugar na UE e o 13.º lugar na Zona Euro à frente de países como a Estónia, Eslovénia e República Checa que, no indicador do PIB per capita, estão à frente de Portugal.

No consumo per capita, face a 2010, as maiores quedas são protagonizadas pela Grécia, Itália, Holanda e Irlanda. Já as maiores subidas são protagonizadas pela Lituânia (que está à frente de Portugal), a Roménia e a Estónia.

É de notar que estes são valores em percentagem da média da UE e, por isso, colocam os países em perspetiva. Uma descida no ranking não significa que o bem-estar económico tenha efetivamente piorado, mas que melhorou menos do que a média europeia. 

Além disso, o INE deixa uma ressalva: "Os resultados publicados devem ser analisados com alguma prudência, particularmente em termos de evolução temporal, uma vez que ao longo do tempo verificam-se alterações de diferente natureza, nomeadamente ao nível da seleção do cabaz comum de bens e serviços em comparação, dos métodos e fontes dos preços utilizados no exercício PPC e da substituição de valores preliminares por definitivos da contabilidade nacional". 

PIB per capita cresce 4,2%, mas avança pouco na UE
O PIB per capita português, um indicador do nível de atividade económica, aumentou 4,2% em 2018, principalmente devido ao aumento nominal do PIB de 4,1% ao que se somou uma pequena diminuição da população. Em paridades de poder de compra, o PIB per capita de Portugal subiu para os 23.765. 

Face à média da UE, o PIB per capita português representava 76,8% em 2018, mais duas décimas do que em 2017, atingindo um máximo de 2011. Contudo, desde então Portugal foi ultrapassado neste indicador pela Estónia e Lituânia, passando para a 20.ª posição no ranking da UE ou, noutra ótica, na nona pior posição. 

No topo do ranking continua o Luxemburgo onde o PIB per capita está mais de duas vezes e meia acima da média europeia. Já o valor mais baixo continua a ser o da Bulgária, apesar das subidas constantes, onde o PIB per capita é cerca de metade da média europeia.

Consumo per capita vs. PIB per capita
Um exemplo de como as diferenças entre os indicadores, o PIB per capita (atividade económica) e o consumo per capita (bem-estar das famílias), podem dar dois cenários diferentes é a Irlanda.

Por um lado, os irlandeses podem dizer que têm o segundo PIB per capita mais elevado da União Europeia, perto do dobro da média (189,4%). Por outro lado, o bem-estar económico das famílias irlandesas não chega à média da UE (94,7%). 

Esta diferença explica-se em parte devido a efeitos associados à redistribuição do rendimento que é feita em cada país. Na Alemanha, por exemplo, o PIB per capita e o consumo per capita face à média da UE estão em níveis semelhantes (120%). Mas, na maioria dos casos, o consumo per capita em percentagem da média europeia tende a ser mais elevado do que o PIB per capita.



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