Mundo Economia chinesa cresce ao ritmo mais baixo desde 1990 mas dá sinais de estabilização

Economia chinesa cresce ao ritmo mais baixo desde 1990 mas dá sinais de estabilização

O ritmo de crescimento económico atingiu, este ano, o nível mais baixo da meta estipulada pelo Partido Comunista, de "entre 6 e 6,5%".
Economia chinesa cresce ao ritmo mais baixo desde 1990 mas dá sinais de estabilização
EPA / Reuters
Negócios com Lusa 17 de janeiro de 2020 às 07:46
A economia chinesa, a segunda maior do mundo, cresceu 6,1%, em 2019, o ritmo mais baixo em 29 anos, que reflete um aumento débil do consumo interno e uma prolongada guerra comercial com Washington.

Dados oficiais divulgados hoje representam uma desaceleração de cinco décimas, face ao crescimento registado em 2018, que tinha sido já o mais baixo desde 1990. O crescimento económico para o período entre outubro e dezembro fixou-se nos 6%, igual ao trimestre anterior.

No quarto trimestre o PIB cresceu a um ritmo anual de 6%, em linha com os três meses anteriores e o período homólogo. Este desempenho, apesar de também ser o mais baixo em quase 30 anos, mostra que a segunda maior economia do mundo terminou 2019 de forma resiliente, o que melhora as perspetivas para 2020. 


Outros dados económicos revelados esta sexta-feira também apontam nesse sentido de estabilização da economia chinesa. A produção industrial acelerou em dezembro de forma inesperada com um aumento de 6,9% (o mais forte em nove meses). Já as vendas a retalho aumentarem 8%, acima do esperado pelos analistas (7,8%). 


O ritmo de crescimento económico atingiu em 2019 o nível mais baixo da meta estipulada pelo Partido Comunista, de "entre 6 e 6,5%". Para 2020, de acordo com a Reuters, Pequim deverá baixar a meta de crescimento para valores em redor de 6%.


A liderança chinesa está a encetar uma transição no modelo económico do país, visando uma maior preponderância do setor dos serviços e do consumo, em detrimento das exportações e construção de obras públicas.

Mas a desaceleração tem sido mais acentuada do que o previsto, levando Pequim a reduzir as restrições no acesso ao crédito e a aumentar a despesa pública, visando evitar a destruição de empregos, o que poderia resultar em instabilidade social.

Os exportadores chineses ressentiram-se com um aumento das taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos, parte de disputas comerciais suscitadas pelas ambições para o setor tecnológico e o superavit comercial da China, embora o impacto geral sobre a economia tenha sido menor do que esperavam alguns analistas.

Pequim e Washington assinaram esta semana um acordo parcial, que representa uma trégua na guerra comercial, mas que não anula a maior parte das taxas punitivas impostas pelos EUA sobre 360 mil milhões de dólares (323 mil milhões de euros) de produtos importados da China e exclui reformas profundas no sistema económico chinês, incluindo a atribuição de subsídios às empresas domésticas.

A atividade da indústria manufatureira, o consumo interno e o investimento enfraqueceram em 2019, face ao ano anterior.

O Gabinete Nacional de Estatísticas chinês observou que a economia da China se manteve estável, durante um período difícil, mas alertou para os riscos internos que envolvem "problemas estruturais, sistemáticos e cíclicos".

A taxa de natalidade do país, o mais populoso do mundo, caiu também para um novo recorde mínimo de 1,05%, em 2019, um sinal ameaçador para um país que vai começar a enfrentar uma escassez de trabalhadores jovens nas próximas décadas.

Em termos nominais, a riqueza total da China ascendeu, no ano passado, a 99,09 biliões de yuan (12,94 biliões de euros).



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