Mundo Trump renova criticas à política da Fed, que considera "demasiado agressiva"

Trump renova criticas à política da Fed, que considera "demasiado agressiva"

Menos de 24 horas depois de ter dito que os decisores da Reserva Federal dos Estados Unidos "estão doidos", o presidente norte-americano enquadrou a sua afirmação ao considerar que a política da Fed é "demasiado agressiva".
Trump renova criticas à política da Fed, que considera "demasiado agressiva"
EPA
David Santiago 11 de outubro de 2018 às 14:49

"Estão a cometer um enorme erro", afirmou Donald Trump em novo ataque contra o ritmo de normalização monetária levado a cabo pela Reserva Federal dos Estados Unidos, designadamente a subida dos juros na maior economia mundial.

Depois de esta quarta-feira ter criticado a Fed, considerando que os governadores do banco central norte-americano "estão doidos", o presidente dos EUA deu esta quinta-feira, 11 de Outubro, uma entrevista à Fox em que critica a política da instituição por ser "demasiado agressiva".

O actual presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, deu continuidade à política de subidas graduais dos juros iniciada pela sua antecessora, Janet Yellen, sendo que este ano a Fed já decretou três aumentos dos juros.

Os dados económicos, que apontam para níveis robustos do mercado de trabalho e da inflação, deverão determinar uma subida até ao final de 2018, antecipa a generalidade dos analistas.

Várias vozes juntaram-se para defender a competência da equipa liderada por Powell, com destaque para a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, que afiança que a Fed tem tomado decisões com base em números e indicadores robustos.

Depois de, inusitadamente para um presidente dos EUA, Trump ter criticado, em Julho último, as opções do banco central norte-americano, desde então o residente na Casa Branca tem insistido e acentuado o nível das críticas dirigidas à Fed.

No fundo, Trump considera que a Reserva Federal dos EUA está a agir em contraciclo face a outros relevantes bancos centrais como o Banco Central Europeu ou o Banco do Japão, que mantêm as respectivas taxas de juro de referência em mínimos históricos. O que cria um clima adverso para Washington, defende Trump.

O líder norte-americano defende níveis mais baixos dos juros por forma a promover o consumo de famílias e empresas e assim animar a actividade económica. Com eleições à porta (Novembro) para eleger um novo Congresso, e apesar dos resultados económicos positivos, Trump teme um arrefecimento económico.

Antes de ter sido eleito presidente dos EUA, Donald Trump criticou em diversas ocasiões o facto de a Fed persistir numa política de juros baixos.

Trump volta a ameaçar a China e não recua em disputa comercial

Na entrevista concedida esta manhã ao programa Fox and Friends, Donald Trump também voltou a cerrar os dentes para ameaçar a China. Numa fase em que as negociações ao nível técnico com o objectivo de equilibrar a relação comercial entre a China e os EUA parecem bloqueadas, Trump ameaçou ter ainda muito para fazer em relação a Pequim.

Numa altura em que estão em vigor cerca de 260 mil milhões de dólares de tarifas aduaneiras (200 mil milhões aplicadas pelos EUA e 60 mil milhões pela China) reforçadas mutuamente impostas entre as duas maiores economias do mundo, Donald Trump lembra que as suas medidas "tiveram grande impacto".

"A economia deles (chinesa) foi abaixo de forma muito substancial e eu tenho ainda muito para fazer se o quiser fazer", declarou hoje na Fox, citado pela Reuters. "Eu não o quero fazer, mas eles têm de regressar à mesa de negociações", prosseguiu confirmando que com esta ameaça pretende levar Pequim a fazer cedências negociais.

Depois da última leva de taxas alfandegárias imposta pela administração americana à China, Pequim abdicou de responder na mesma proporção, o que foi lido nos mercados como uma confirmação de que a capacidade chinesa para fazer dano aos EUA é menor tendo em conta que importa muito menos bens americanos do que o contrário.

Trump responsabilizou os seus antecessores na Casa Branca por permitirem uma posição tão frágil dos EUA ao nível comercial. "Fomos mal governados no que diz respeito ao comércio", disse.




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