Política Monetária Atas do BCE indicam que vem aí um "pacote" de medidas e não às pingas

Atas do BCE indicam que vem aí um "pacote" de medidas e não às pingas

Ainda não é certo, mas é cada vez mais provável que a 12 de setembro o BCE apresente um pacote de estímulos para a Zona Euro e não uma medida isolada, indicam as atas da última reunião.
Atas do BCE indicam que vem aí um "pacote" de medidas e não às pingas
Tiago Varzim 22 de agosto de 2019 às 14:21
As atas da última reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) divulgadas esta quinta-feira, 22 de agosto, mostram que uma combinação de medidas pode ser a melhor solução para resolver os atuais desafios em vez de se lançar medida a medida.

"As várias opções devem ser vistas como um pacote, ou seja, uma combinação de instrumentos com complementaridade e sinergias significativas, uma vez que a experiência [passada] tem mostrado que um pacote de medidas - como a combinação de corte de juros e compras de ativos - foi mais eficaz do que uma sequência de ações seletivas", lê-se nas atas da reunião de 25 de julho em que o BCE prolongou o "forward guidance" para o primeiro semestre de 2020 e mandou estudar várias medidas.

Não é claro pelo texto divulgado que esta visão tenha reunido consenso, mas a sua introdução nas atas demonstra que terá pernas para andar. Além disso, foi o economista-chefe do BCE, Philip Lane, quem sugeriu que se examinasse várias possibilidades para que o banco central estivesse preparado para fazer face à desaceleração económica.

Na última reunião, o presidente do BCE, Mario Draghi, tinha dito que queria ver as próximas projeções económicas da equipa do BCE, as quais vão ser divulgadas na próxima de reunião, antes de agir. Desde essas declarações já foram revelados mais dados económicos negativos para a Zona Euro com o PIB a travar no segundo trimestre e a Alemanha a caminhar para uma recessão técnica.

A possibilidade mais forte entre os investidores é que o BCE avance com um corte na taxa de depósitos (que os bancos pagam para ter o dinheiro nos cofres em Frankfurt), que está neste momento nos -0,4%. A expectativa dos mercados é que esta taxa baixe para -0,5% e seja acompanhada do retomar do programa de compra de ativos (principalmente obrigações soberanas dos países da Zona Euro), que encerrou em dezembro de 2018.

Mas há mais hipóteses: uma mudança no "forward guidance" dos juros e/ou um sistema de escalonamento que alivie parcialmente o impacto negativo dos juros do BCE nos lucros da banca europeia também estão na mesa. Sobre esta última medida, as atas mostram que há discórdia entre os governadores dos bancos centrais nacionais da Zona Euro.

Já em andamento está a terceira ronda dos empréstimos mais baratos de longo prazo que o BCE decidiu dar aos bancos em março. O TLTRO III (sigla em inglês) chegará ao terreno em setembro e será um incentivo à banca para emprestar mais, criando dinamismo na economia e impulsionando a inflação, o objetivo último do BCE.

É sobre esse objetivo que as atas mostram também que existe uma discussão ativa entre os governadores. Segundo os tratados europeus, a inflação tem de estar perto, mas abaixo de 2%. Contudo, Draghi tem dito que a meta é simétrica, ou seja, poderá haver momentos em que será superior a 2%. No entanto, há membros do BCE que dizem ser necessária uma alteração ao mandato do banco central da Zona Euro para que tal aconteça.

A reunião de 12 de setembro será o penúltimo encontro de política monetária do conselho de governadores do BCE sob o leme de Mario Draghi, presidente do BCE, que abandonará o cargo a 31 de outubro, a mesma data em que está marcada a saída oficial do Reino Unido da União Europeia, com ou sem acordo. A 1 de novembro, Christine Lagarde assumirá a liderança do BCE.



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