Política Monetária Powell vê o "copo mais do que meio cheio" quando olha para a economia dos EUA

Powell vê o "copo mais do que meio cheio" quando olha para a economia dos EUA

Powell está preocupado que a Fed tenha de lidar com os mesmos problemas que o Banco do Japão e o Banco Central Europeu, mas para já afasta esses problemas, argumentando que a economia norte-americana está num bom caminho.
Powell vê o "copo mais do que meio cheio" quando olha para a economia dos EUA
Reuters
Tiago Varzim 26 de novembro de 2019 às 09:38
O presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, vê o "copo mais do que meio cheio" quando olha para a economia norte-americana, reforçando a ideia de que os juros diretores vão ficar inalterados por algum tempo. Foi uma mensagem de confiança que quis deixar esta segunda-feira, 25 de novembro, num discurso no estado de Rhode Island.

"Nesta fase da expansão longa, eu vejo o copo mais do que meio cheio", afirmou Powell, dando novamente razões aos mercados para não esperarem mais cortes de juros nos próximos meses. A Reserva Federal desceu as taxas diretoras três vezes consecutivas (julho, setembro e outubro) este ano, atingindo o nível da primeira reunião do atual presidente da Fed em 2018

Para o presidente da Fed "os efeitos totais" das descidas dos juros vão ser sentidos "ao longo do tempo", mas a Reserva Federal "acredita que já estão a ajudar o sentimento dos consumidores e dos empresários e a aumentar os gastos" em imóveis e bens duradouros.

Para Jerome Powell "a política monetária está bem posicionada para apoiar o mercado de trabalho forte e levar a inflação decisivamente para o objetivo simétrico de 2%". Ou seja, os juros diretores estão no nível adequado para o momento que a economia norte-americana vive.

Esta é uma das preocupações principais de Powell dado que há várias economias do mundo têm visto a inflação ficar "persistentemente" abaixo do objetivo do banco central, tal como é o caso do Banco Central Europeu e do Banco do Japão, levando a uma dinâmica "pouco saudável" em que as expectativas da evolução dos preços levem a uma redução da inflação real.

"A experiência do Japão, e agora da Zona Euro, sugere que é muito difícil reverter esta dinâmica dado que, uma vez que se estabelece, pode tornar mais difícil que o banco central ajude a economia através da progressiva redução dos juros diretores", alertou Jerome Powell, argumentando que "é por isso essencial que a Fed use as suas ferramentas para se certificar que não há uma descida pouco saudável nas expectativas da inflação e na própria inflação". 

Contudo, também fez questão de assinalar que não há um caminho "predefinido" pelo que "se as perspetivas mudarem materialmente, a política [monetária] irá mudar também", assegurou. 

Mas, para já, há mais a fazer para "espalhar os benefícios de forma mais ampla entre todos os norte-americanos". O presidente da Fed disse que mais recentemente têm-se registado melhorias nas condições das minorias raciais, dos menos educados e de pessoas com deficiência. Para ir mais além, Powell pediu aos políticos eleitos para fazerem a sua parte: preparar os trabalhadores para a inovação tecnológica e recompensar a participação laboral.



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