Política  Marcelo nota "salto" nas relações com Itália mas desafia portugueses a irem "mais longe"

Marcelo nota "salto" nas relações com Itália mas desafia portugueses a irem "mais longe"

Numa receção à comunidade portuguesa em Itália, na residência do embaixador de Portugal em Roma, Pedro Nuno Bártolo, o chefe de Estado declarou: "Porque somos, em muitos aspetos, muito parecidos e é uma pena que não tiremos proveito dessas afinidades. É esse o desafio que vos lanço".
 Marcelo nota "salto" nas relações com Itália mas desafia portugueses a irem "mais longe"
José Coelho/Lusa
Lusa 11 de novembro de 2019 às 22:21
O Presidente da República considerou esta segunda-feira, em Roma, que houve "um salto humano" nas relações luso-italianas e um "estreitamento" em termos culturais, económicos e políticos, mas pediu à comunidade portuguesa para "ir mais longe".

"Agora é preciso fazer mais, esse é o desafio que vos deixo. Têm de fazer mais e melhor, temos de ir mais longe. Temos de ter mais relações humanas, temos de ter mais relações culturais, e educativas, e científicas e académicas. E depois também empresariais e financeiras e políticas", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Perante cerca de 200 pessoas, numa receção à comunidade portuguesa em Itália, na residência do embaixador de Portugal em Roma, Pedro Nuno Bártolo, o chefe de Estado acrescentou: "Porque somos, em muitos aspetos, muito parecidos e é uma pena que não tiremos proveito dessas afinidades. É esse o desafio que vos lanço".

Nesta receção, Marcelo Rebelo de Sousa tirou fotos com militares portugueses que estão no comando da NATO em Nápoles, com um grupo de estudantes de Erasmus em Itália e aceitou ser sócio honorário de uma futura associação cultural luso-italiana que está a ser criada, entre outros, por Fátima Afonso, uma portuguesa que reside em Roma há 30 anos e tem um restaurante perto do Vaticano.

O Presidente da República, que chegou hoje à tarde à capital italiana, para uma visita de Estado a Itália, notou "um salto enorme no relacionamento entre Portugal e Itália" desde a sua primeira deslocação a Roma, no início do seu mandato, em maio de 2016.

"Um salto humano: há mais italianos a viver em Portugal, são hoje perto de 20 mil, um aumento de mais 30%, mas há mais portugueses a viverem aqui em Itália também, um salto significativo, e muitos jovens", assinalou.

Atualmente, de acordo com uma estimativa consular, vivem em Itália cerca de sete mil portugueses, grande parte deles estudantes, e perto de metade na região do Lazio, onde se encontra a capital, Roma.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "houve também um estreitamente em termos culturais e um estreitamento em termos económicos entre os dois países", com "mais investimento italiano em Portugal" e "mais empresas portuguesas aqui em Itália".

"E há, obviamente, um estreitamento político de relações entre os dois países", acrescentou, referindo que ambos pertencem à União Europeia e partilham, "no essencial, as mesmas convicções: Estado de direito democrático, direitos humanos, abertura, ecumenismo".

No plano europeu, Portugal e Itália partilham o objetivo de tornar a União Europeia "mais forte, com um peso maior no mundo, mais coesa, mais justa, mais igual" e com "atenção crescente aos europeus, uma União Europeia que olhe mais ainda para as pessoas", afirmou.

Os dois países apostam num aprofundamento da "parceria entre Europa e África", que Portugal quer reforçar quando assumir a presidência da União Europeia, prosseguiu.

O Presidente da República disse que não foi por acaso que passou por Roma antes da sua visita de Estado a Moçambique, em maio de 2016: "Sabia como era importante naquele momento histórico o nosso relacionamento trilateral". "Aí, continuamos permanentemente a conjuntar esforços", reforçou.

Perante os representantes da comunidade portuguesa em Itália, Marcelo Rebelo de Sousa falou também da sua "relação fraternal" com o Presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, e elogiou a sua "personalidade excecional, como homem, como jurista, como humanista, como político, como estadista".

No seu entender, "esta visita de Estado, que vai permitir reafirmar os laços fraternais com o Presidente Mattarella, vai permitir dialogar com o Governo em funções, vai permitir um relacionamento próximo com as duas câmaras do Congresso" - contactos de alto nível que terá na terça-feira.



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