Vinho Dona do Fita Azul "fica bem" com vendas de 12 milhões

Dona do Fita Azul "fica bem" com vendas de 12 milhões

No Douro, no Dão e nos Verdes, a Borges produz 6,5 milhões de garrafas por ano, exportando mais de metade dos vinhos e espumantes para 60 países. Antes de apostar no enoturismo, a empresa do grupo JMV investe na produção.
Dona do Fita Azul "fica bem" com vendas de 12 milhões
Dos 130 hectares da Quinta da Soalheira saem as uvas para os melhores vinhos da Borges no Douro.
DR
António Larguesa 14 de dezembro de 2018 às 17:00

A poucas semanas de fechar o exercício de 2018, a Sociedade dos Vinhos Borges regista um crescimento de 6,5% e prevê subir a facturação para 12 milhões de euros. O campeão de vendas é o espumante Fita Azul, com um peso de 21% no negócio, seguido de perto pelo vinho verde Gatão, que lidera em quantidade, e pelo Meio Encosta (Dão), o produto mais popular nos mercados externos, em número de garrafas e em valor.

 

Fundada em 1884 por António e Francisco Borges – os mesmos do Banco Borges & Irmão, nacionalizado em 1975 e que na reprivatização acabou nas mãos do BPI –, a empresa de vinhos que tem como assinatura "Res Non Verba" (actos e não palavras) foi comprada em 1998 pelo grupo JMV - José Maria Vieira, de Gondomar, que detém também a marca de cafés Torrié.

A produção anual ronda os cinco milhões de litros – equivalente a 6,5 milhões de garrafas –, com origem em três das principais regiões demarcadas do país: 1,8 milhões nos Verdes, 1,2 milhões no Dão e 1,1 milhão no Douro (inclui Porto), além de fazer cerca de 700 mil litros dos espumantes Fita Azul e Real Senhor.

 

A propriedade que está há mais tempo na sociedade, desde 1904, adquirida ainda pelos irmãos Borges, é a Quinta da Soalheira, situada em São João da Pesqueira, na sub-região do Cima Corgo. Dividida a meio pelo rio Torto, tem uma área total de 340 hectares, dos quais 130 com as vinhas de onde saem as uvas para os melhores vinhos que faz na região, como o Grande Reserva Douro Tinto 2015, cuja segunda edição está agora a lançar para o mercado com um PVP de 70 euros. A vinificação dos néctares durienses está concentrada em Vila Real.

 

A Quinta da Soalheira, situada em São João da Pesqueira, pertence à sociedade desde 1904.
A Quinta da Soalheira, situada em São João da Pesqueira, pertence à sociedade desde 1904.
DR

 

Na aldeia de Aguieira, no concelho de Nelas, a Borges tem aquela que é "a maior mancha contínua de vinha" do Dão, com 74 hectares, e uma adega onde são vinificados os vinhos desta região. Tal como acontece com os produtos do Douro, também estes são engarrafados num centro de produção na Lixa (Felgueiras), com uma capacidade instalada de vinificação de 2,5 milhões de litros e nove milhões de litros de capacidade de armazenamento.

 

Esta estrutura de engarrafamento fica a escassos 500 metros da Quinta de Simaens, com 46 hectares, à qual a Borges juntou há dois anos uma segunda propriedade na região dos vinhos verdes: a Quinta do Ôro tem metade da dimensão e ainda não está em produção. "Foi uma forma de reforçar a presença nesta região e a quantidade de uva própria", sublinhou Ana Montenegro, directora de marketing e comunicação, acrescentando que é na antiga província de Entre-Douro-e-Minho que compra mais matéria-prima a outros produtores, sobretudo para fazer a centenária marca Gatão.

 

Queremos apostar também no enoturismo, nomeadamente no Dão, mas a prioridade dos investimentos é na parte produtiva, na vinificação e na uva própria. Ana Montenegro, responsável de marketing e comunicação da Borges

 

Em declarações ao Negócios à margem da apresentação da nova imagem e colheitas da gama Borges Reserva, em Matosinhos, a responsável da Borges, cuja sociedade emprega uma centena de trabalhadores, referiu que "a prioridade dos investimentos é na parte produtiva", quer na vinha, quer na vinificação. Um dos próximos a avançar é na adega no Dão onde produz o Meia Encosta, o Quinta de São Simão de Aguieira ou o Borges Reserva, que vai ser remodelada na primeira metade de 2019.

 

Acolher clientes e "visitar" estrangeiros

 

No entanto, embora não seja prioritário nesta fase, no horizonte da empresa com sede em Rio Tinto está também "a aposta no enoturismo". Um dos alvos é a recuperação de um solar de finais do séc. XVII, localizado na propriedade localizada no distrito de Viseu, transformando-o numa unidade de alojamento. Reservada apenas para clientes e outros convidados da empresa, em Setembro de 2019 também a Quinta da Soalheira passará a ter uma casa com alguns quartos, uma piscina, um museu e uma loja. As obras já arrancaram e o investimento está avaliado em meio milhão de euros.

 


Numa fase em que está a renovar os rótulos dos vinhos – produz tintos (34%), brancos (58%) e rosés (8%) –, mais de metade das vendas são realizadas em perto de 60 mercados externos. Valendo um quinto do negócio total da empresa, o Canadá é o melhor destino no estrangeiro, seguido da Alemanha, França, Estados Unidos, Japão, Brasil, Holanda, Austrália e Espanha. E reflectindo a orientação para visar novas geografias para o vinho português, onde o consumo à refeição esteja a aumentar, a Borges fez este ano as primeiras vendas para o Paraguai e Taiwan.




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