Banca & Finanças Constâncio soube do crédito especulativo da CGD a Berardo

Constâncio soube do crédito especulativo da CGD a Berardo

O ex-governador do Banco de Portugal teve conhecimento da análise dos serviços internos sobre a operação de financiamento da CGD a Berardo que levou ao reforço da sua posição no BCP.
Constâncio soube do crédito especulativo da CGD a Berardo
Negócios 11 de junho de 2019 às 10:14
Vítor Constâncio garantiu que não esteve presente na reunião do conselho de administração do Banco de Portugal (BdP) que tomou a decisão de não oposição ao reforço de Joe Berardo no BCP em agosto de 2007. E garantiu ainda que só teve conhecimento das operações "a posteriori".

Contudo, segundo revela o Público esta terça-feira, 11 de junho, o ex-governador do BdP teve acesso aos documentos com a informação completa sobre a operação que foi analisada durante dois meses pelo departamento de supervisão do banco central. 

Em causa está o reforço de Berardo no capital do BCP que foi financiado por um empréstimo de 350 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD), cuja garantia eram as ações (títulos especulativos) do próprio banco que iriam ser adquiridas. Os títulos viriam a cair drasticamente em bolsa durante a crise financeira de 2008 e 2009, tendo Berardo não conseguido pagar o empréstimo até agora. 

Segundo o jornal, não há referência nas atas das reuniões posteriores do conselho de administração a objeções de Vitor Constâncio à operação que envolvia Berardo, a CGD e o BCP, mas nessa altura já lhe tinha sido disponibilizada documentação com a descrição completa da operação. 

O Público explica que a linha de crédito disponibilizada pela CGD a Berardo - sem garantias reais nem capitais próprios - só poderia ser utilizada com a autorização do Banco de Portugal. Na avaliação da tomada de posição qualificada, o BdP poderia ter concluído que a operação de financiamento tinha riscos para a estabilidade financeira e, portanto, rejeitá-la.

Foi esta informação que o ex-governador do BdP omitiu (ou, pelo menos, se esqueceu de mencionar) na audição no Parlamento na comissão de inquérito à gestão e a recapitalização do banco público. Nessa altura, questionado sobre se tinha conhecimento de créditos tóxicos na CGD, Constâncio negou.



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