Banca & Finanças BdP: Cenário de juros baixos expõe banca nacional a riscos em excesso

BdP: Cenário de juros baixos expõe banca nacional a riscos em excesso

A política monetária do BCE, que dita um cenário de juros baixos, pode levar a banca nacional a ficar mais exposta a riscos, nomeadamente através de uma deterioração dos critérios de concessão de crédito.
BdP: Cenário de juros baixos expõe banca nacional a riscos em excesso
Mariline Alves/Cofina
Rita Atalaia 04 de dezembro de 2019 às 13:00
O cenário de juros baixos, imposto pela política monetária do Banco Central Europeu (BCE), pode deixar a banca nacional exposta a riscos em excesso. O alerta é deixado pelo Banco de Portugal, no Relatório de Estabilidade Financeira. Para o regulador, a procura por rentabilidade poderá promover uma deterioração dos critérios de concessão de crédito e o aumento do endividamento para níveis que não são sustentáveis.

"O prolongamento do ambiente de taxas de juro muito baixas traduz-se numa redução dos custos de financiamento, beneficiando a capacidade de serviço de dívida dos agentes económicos, em particular dos mais endividados", de acordo com documento publicado pelo BdP esta quarta-feira, 4 de dezembro.

Porém, continua o regulador, este cenário de juros baixos "cria condições propícias à intensificação dos riscos associados à procura de rendibilidade ('search-for-yield'), o que poderá resultar em assunções excessivas de risco e sobrevalorizações dos ativos, as quais tenderão a ser corrigidas a prazo".

Pode também "promover a deterioração dos critérios de concessão de crédito e o aumento do endividamento para níveis não sustentáveis". Isto numa altura, realça, em que o nível de endividamento ainda é elevado. 

"A acumulação de vulnerabilidades que daí resulta torna os agentes económicos mais sensíveis a um eventual abrandamento mais acentuado da atividade económica, com impacto na sua capacidade de servir a dívida, e com possíveis implicações também nos prémios de risco e na valorização dos ativos", refere o banco liderado por Carlos Costa.  

A entidade acrescenta ainda que, "dada a materialidade da exposição dos bancos a títulos de dívida pública a taxa fixa e a ativos imobiliários ou que beneficiem de garantia dessa natureza, a possível reversão dos prémios de risco e uma redução no valor destes ativos permanece como um risco relevante para a estabilidade financeira". 




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