Indústria Cinturão negro de Guimarães faz-se à falida Tegopi

Cinturão negro de Guimarães faz-se à falida Tegopi

Dono e nome do grupo de Guimarães que emprega mais de 600 pessoas, o karateca que perdeu a corrida à presidência do Vitória, já por duas vezes, quer agora salvar parte da falida metalomecânica de Gaia. Conheça Pinto Brasil, de 61 anos.
Cinturão negro de Guimarães faz-se à falida Tegopi
Manuel Pinto Brasil candidatou-se por duas vezes à presidência do Vitória de Guimarães, em 2010 e 2012, tendo saído derrotado em ambas as ocasiões.
Simão Filho
Rui Neves 03 de outubro de 2019 às 18:45

Nascido em 1958, em Creixomil, na cidade onde nasceu Portugal, o mais novo de três filhos dos donos da mercearia da freguesia cedo começou a saber fazer uns trocos ao balcão do negócio dos pais.

 

Quando acabou a escola primária, foi tirar o curso de serralheiro mecânico na Escola Comercial e Industrial de Guimarães. O seu primeiro emprego aconteceu aos 15 anos, numa pequena metalomecânica local, a Laranjeiro & Oliveira, que fabricava máquinas para a indústria têxtil. Ganhava 20 escudos (10 cêntimos) por semana.

 

Adepto fervoroso do Vitória de Guimarães, foi extremo-esquerdo dos Piratas de Creixomil, tendo depois abraçado o futebol de salão, com passagens pelo Campos, Riba d’Ave e Taipas. E iniciou-se no karaté.

 

No final dos anos 70, com 21 anos, já ao volante do seu primeiro carro, um Fiat 127, deixa os campos da bola e o karaté, abandona a Laranjeiro e começa a trabalhar por conta própria. O arranque da aventura de pedalar a sua própria bicicleta empresarial aconteceu num anexo alugado em S. João da Ponte, freguesia da mulher com que casou e que lhe deu quatro filhos - Andreia, António Manuel, Pedro e Adriana.

 

Quatro décadas depois, Manuel Machado Pinto Brasil, de 61 anos, é hoje dono de um grupo que diversificou a sua paleta de ofertas enquanto fornecedor de máquinas e periféricos industriais de empresas líderes dos setores automóvel e aeronáutico, expandindo a sua área de atuação para os serviços, a construção e tecnologias de informação.

 

Grupo vimaranense Pinto Brasil fatura mais de 40 milhões e exporta 90%

 

Atualmente, o grupo emprega mais de 600 pessoas, distribuídas pelas empresas Pinto Brasil, Divmac, P.B. Renováveis, MTS Group, Arlógica, Metalpaint, Calmways, Tecnocampo e GenSYS e Marcenaria Monte Cristo.

 

Fechou o exercício de 2017 com uma faturação superior a 40 milhões de euros, dos quais 90% foram gerados nos mercados internacionais.

 

Entretanto, esta quinta-feira, 3 de outubro, na assembleia de credores da falida Tegopi, o administrador de insolvência revela que o grupo de Guimarães está interessado em comprar parte da metalomecânica de Gaia.

 

"Fui contactado por um novo investidor, o Pinto Brasil, que poderá viabilizar parte da empresa. Proponho a liquidação da empresa salvaguardando partes", disse António Dias Seabra, que viu aprovada a sua sugestão sob a figura jurídica "liquidação da empresa com manutenção do estabelecimento".

 

Em declarações à Lusa, Manuel Brasil confirmou o interesse na Tegopi: "Não posso dizer valores, mas vamos analisar tudo, ver os prós e os contras, e estou confiante que conseguiremos avançar com o negócio", disse o presidente do grupo Pinto Brasil.

 

O empresário  afirmou que "existiram contactos" com o administrador de insolvência da Tegopi e que, "por estar dentro do seu âmbito de negócio e para evitar o despedimento de tantas pessoas", quer investir na empresa de Gaia.

 

Manuel Pinto Brasil disse que é objetivo do seu grupo, que atualmente tem como principais mercados a Europa, Norte de África e América do Norte, é "crescer no setor e alcançar mercados alternativos", razão pela qual procura "oportunidades de investir junto de empresas cujos trabalhadores têm experiência no setor".

 

A Tegopi, que é detida em 70% por um fundo público, apresentou-se à insolvência em maio passado com uma dívida de 30,6 milhões de euros a um total de 272 credores, entre os quais a CGD (13,4 milhões de euros) e a Segurança Social, que reclama créditos de 555 mil euros.

 

Após o anunciado despedimento de 98 trabalhadores, a metalomecânica gaiense tem agora ao serviço 81 pessoas.

 

Manuel Brasil, com quem o Negócios tentou falar, sem sucesso, ainda não conseguiu concretizar o seu velho sonho de tornar-se presidente do Vitória de Guimarães, tendo averbado duas derrotas nas tentativas de lá chegar, em 2010 e e 2012.

 

Já no karaté, arte marcial a que regressou quando se tornou quarentão, ganhou o cinto negro.

 

Algures no site do grupo Pinto Brasil, numa publicação datada de junho de 2017, lê-se: "Após ter marcado presença no estágio de Karaté realizado em Aveiro, o nosso CEO, Manuel Brasil, foi até à Grécia para participar no estágio internacional conduzido pelo Sensei Velibor Dimitrijevic (7Dan)."

 




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