Indústria Conheça a indústria portuguesa que “não é a mais sexy da Europa"

Conheça a indústria portuguesa que “não é a mais sexy da Europa"

O sector nacional de fundição factura mais de 600 milhões de euros, com perto de 90% via exportações, estando presente na maioria dos carros fabricados no Velho Continente, e emprega mais de 6.200 pessoas.
Conheça a indústria portuguesa que “não é a mais sexy da Europa"
A indiana Sakthi, que tem fábricas na Maia e em Águeda (na foto), é considerado o "porta aviões" da indústria de fundição em Portugal.
Rui Neves 16 de maio de 2018 às 14:00

"Esta não é a indústria mais sexy da Europa… a não ser que leve em conta que este edifício é um dos mais belos e interessantes projectos de arquitectura realizados em Portugal e é uma fundição… Que a revolução 4.0 começou há muito aqui… ou que peças da autoria de designers, engenheiros e operários nacionais que trabalham nesta indústria, obtêm os mais celebrados prémios mundiais e equipam casas em todo o mundo, e até eventualmente a sua. E que peças que equipam [os automóveis de marcas como a] Bentley, Maserati ou Mercedes AMG, entre outros, são pensadas, desenhadas e produzidas pela nossa indústria."

 

Assim começa uma apresentação da Associação Portuguesa de Fundição (APF), cujo arranque pode ser interpretado como uma clara provocação ao sector nacional do calçado, que se apresenta ao mundo como "a indústria mais sexy da Europa", chamando assim a atenção para uma actividade que, queixa-se a APF, não tem conseguido atrair os holofotes mediáticos.

 

A ilustrar a capa da apresentação está a nova fábrica da indiana Sakthi, em Águeda, um edifício de design moderno e inovador, que replica, em termos de produção, o que o grupo já fabrica na sua unidade da Maia: componentes críticos de segurança para automóveis (como travões, suspensões e juntas de direcção) em ferro fundido modelar.

 

Com uma facturação superior a 100 milhões de euros, integralmente gerados nas exportações, a Sakthi é o "porta-aviões" do sector em Portugal, equipando a esmagadora maioria dos automóveis mais vendidos no continente europeu.

 

De acordo com a APF, a indústria portuguesa de fundição, que é constituída por meia centena de empresas, fechou 2017 com "uma facturação de 602 milhões de euros", mais 21 milhões do que no ano anterior e "emprega mais de 6.200 mil trabalhadores".

 

A indústria automóvel, com destaque para o mercado europeu, é o principal cliente do sector, representando quase 80% da facturação.

 

A APF realça que esta indústria "recicla grande parte da matéria-prima e dos desperdícios da produção", tendo "na economia circular um dos grandes objectivos do seu plano estratégico", que será apresentado no 18.º Congresso Nacional de Fundição, que se realiza esta quinta-feira, 16 de Maio, no edifício da Alfândega do Porto.




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