Turismo & Lazer Vila Galé abandona projeto no Brasil criticado por estar em potencial zona de reserva indígena

Vila Galé abandona projeto no Brasil criticado por estar em potencial zona de reserva indígena

A empresa hoteleira critica "'ataques' por alguns que abraçam causas mediáticas, só aparentemente justas, e usam de falsidades, sem sequer procurarem minimamente obter a verdade dos factos".
Vila Galé abandona projeto no Brasil criticado por estar em potencial zona de reserva indígena
Lusa 18 de novembro de 2019 às 16:58
O grupo Vila Galé anunciou hoje que vai abandonar o projeto para a instalação de um 'resort' na região da Bahia, que tem estado debaixo de críticas por estar previsto para um local de potencial reserva indígena.

Em comunicado, a empresa hoteleira critica "'ataques' por alguns que abraçam causas mediáticas, só aparentemente justas, e usam de falsidades, sem sequer procurarem minimamente obter a verdade dos factos".

A Vila Galé lembra que em abril de 2017 "foi convidada pelo Governo da Bahia e Prefeitura de Una para realizar um investimento num mega 'resort' para ajudar ao desenvolvimento da região de Una, tendo sido estabelecida uma parceria com a empresa proprietária dos terrenos".

A empresa garante que realizou todos os estudos e projetos, que foram aprovados pelas autoridades competentes e que, "ao longo de todo esse tempo, não surgiu qualquer reclamação ou reivindicação, apesar de ser pública e notória em toda a região a notícia do projeto", lê-se na mesma nota.

Segundo o grupo, não há sinais de ocupação ou utilização indígena num raio de muitos quilómetros e "não existe qualquer reserva indígena decretada para esta área, nem previsão de a vir a ser".

"Passaram três mandatos governamentais anteriores, com vários ministros da Justiça e nenhum deles aprovou a demarcação das terras indígenas", garante a empresa portuguesa.

"Entretanto, tratando-se de um tema delicado que suscita estados emocionais por parte de alguns setores, fomos acusados de falsidades inconsistentes e graves", critica o grupo, no mesmo comunicado.

A Vila Galé revela depois que vai ser forçada a "abandonar este projeto", isto, ressalva o grupo, "apesar de os projetos estarem aprovados e terem o apoio explícito da Prefeitura de Una, do Governo Estadual da Bahia e dos órgãos de Turismo do Governo Federal, por se tratar de uma obra de maior relevância económica e social", acusando ainda "alguns poucos sem razão prejudicarem toda uma população que se vê privada da oportunidade de ter emprego num projeto de prestígio".

"Não é de nosso interesse que um hotel 'resort' Vila Galé nasça com a iminência de um clima de 'guerra', ainda que injusta e sem fundamento, como são exemplo as ameaças proferidas na embaixada de Portugal em Brasília e algumas declarações falsas, dramáticas e catastróficas que deveriam envergonhar quem as profere", critica o grupo na mesma nota.

No dia 29 de outubro, numa nota enviada às redações, o grupo reagiu a uma notícia do portal de jornalismo de investigação brasileiro The Intercept, garantindo que "não existem indígenas" na zona onde pretendia instalar o Vila Galé Costa do Cacau.

"Não existe no local qualquer tipo de ocupação de pessoas e bens ou sequer vestígio da mesma num horizonte temporal muito alargado", lê-se num comunicado divulgado nessa altura, onde o grupo justificava a legitimidade do hotel, que tinha abertura prevista para 2021.

De acordo com o The Intercept, a Fundação Nacional do Índio (Funai) recebeu, em julho último, um pedido do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) -- órgão vinculado ao Ministério do Turismo do Brasil -- para encerrar o processo de demarcação de uma reserva indígena no sul da Bahia, para a construção do hotel de luxo.

A área em causa, que corresponde a 470 quilómetros quadrados, pertence ao povo Tupinambá de Olivença, que luta pela demarcação daquelas terras há pelo menos 15 anos, e cuja primeira fase do processo foi concluída em 2009.

"Esta é a primeira vez, pelo menos desde a Constituição de 1988, que um órgão federal faz 'lobby' sobre outro -- e o regista num documento oficial do Governo -- para entregar à iniciativa privada uma área indígena, também ela registada num documento oficial do executivo", escreveu o The Intercept, depois de falar com vários especialistas, que declararam a ação inédita e ilegal.

O empreendimento estimava criar mais de 500 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos, segundo a Vila Galé, que mantém a intenção de investir na zona de Una, "no mais curto prazo", de acordo com a nota de hoje.



pub

Marketing Automation certified by E-GOI