Bolsa Altri dispara 13% na valorização mais forte em oito anos

Altri dispara 13% na valorização mais forte em oito anos

A Altri, Navigator e a Semapa atingiram máximos históricos na sessão de hoje, com as cotadas a serem animadas por movimentos de consolidação no sector, alta do dólar e subida nos preços da pasta.
Altri dispara 13% na valorização mais forte em oito anos
Miguel Baltazar/Negócios

As cotadas do sector da pasta e do papel registaram mais uma sessão de fortes ganhos na bolsa de Lisboa, tendo tocado novos máximos históricos, animadas por movimentos de consolidação no sector.


A Altri foi a estrela da sessão, valorizou 13,19% para 7,55 euros, o que corresponde à valorização diária mais elevada desde Maio de 2010, altura em que disparou numa reacção ao regresso aos lucros no primeiro trimestre desse ano. As acções fecharam no valor mais elevado de sempre. A cotada também se destacou pela liquidez, que foi a mais forte desde Outubro do ano passado, com cerca de 1 milhão de títulos transaccionados.

 

A Navigator também alcançou um novo recorde nos 5,40 euros, com os títulos a subirem 2,58% para 5,375 euros. A Semapa – que apresenta as suas contas após o fecho do mercado – ganhou 4,63% para 20,55 euros, a cotação mais alta de sempre.

Esta evolução acontece depois de a imprensa brasileira ter noticiado que a Asia Pacific Resources International (APRIL) fechou um acordo exclusivo com a Lwarcel, tendo feito uma proposta para comprar a sua fábrica de pasta em Lençóis Paulista nos próximos 60 dias.

Numa nota de análise, o BPI recorda que a Lwarcel tem estado à procura de um parceiro para a sua unidade industrial, que permitiria à empresa implementar um projecto de expansão que poderia aumentar a produção em Lençóis Paulista das actuais 250 mil toneladas por ano para 1,5 milhões.

A Altri e a Navigator eram apontadas como interessadas na compra da brasileira Lwarcel, juntamente com a chilena Arauco.

"A aquisição da Lwarcel por um player ibérico faria sentido de um ponto de vista estratégico mas a APRIL parece disposta a fazer uma oferta mais agressiva", referem os analistas do BPI.

Este negócio, que deverá estar iminente, é conhecido dois meses depois de ter sido anunciado que as duas maiores empresas de pasta do Brasil, a Fibria e a Suzano, vão avançar para uma fusão e dar origem à maior produtora mundial desta matéria que serve de base à produção de papel.

 

Alta do dólar e subida da pasta

 

Além das notícias recentes relacionadas com movimentos de consolidação, existem outros factores que justificam o bom momento do sector da pasta e papel na bolsa portuguesa.

 

O dólar tem atingido máximos anuais face ao euro, o que beneficia as fabricantes de papel, que exportam a quase totalidade da produção e obtêm as receitas na moeda norte-americana.

 

Além disso, os preços da matéria-prima têm valorizado de forma expressiva nos últimos meses. Esta tendência foi uma das razões que levaram o CaixaBI a subir o preço-alvo da Altri em 43% no início da semana.

 

O banco de investimento aumentou as previsões para o preço da pasta para os próximos anos, antevendo que estes estarão "bem sustentados em 2019-2020", uma vez que não estão previstos aumentos de capacidade.

 

Com as novas previsões, o CaixaBI estabeleceu um preço-alvo de 7,60 euros por acção, o que corresponde a uma revisão em alta de 43,3% face aos 5,30 euros estabelecidos anteriormente. 




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