Bolsa Benfica lança OPA parcial sobre a SAD a 5 euros por ação

Benfica lança OPA parcial sobre a SAD a 5 euros por ação

A Sport Lisboa e Benfica SGPS lançou uma oferta pública voluntária e parcial de aquisição sobre ações representativas do capital social da SAD das águias que integram a categoria B, sendo por isso ordinárias.
Nuno Carregueiro Carla Pedro 18 de novembro de 2019 às 23:23

A Sport Lisboa e Benfica SGPS, que detém diretamente 23,6% das ações da SAD, lançou uma oferta de aquisição (OPA) sobre o equivalente a mais 28,06%. Já o clube detém 40% do capital, através de ações de categoria A. No total, entre administradores, o clube e a SGPS, o Benfica já detém quase 67% do capital da SAD. Ou seja, com esta OPA poderá elevar essa participação para a quase totalidade do capital da SAD benfiquista.

 

Segundo o anúncio preliminar de lançamento da OPA, divulgado esta segunda-feira à noite junto da CMVM, o preço da oferta é de 5 euros, o mesmo a que as ações entraram em bolsa em 2001. E corresponde a um prémio de 81,15% face ao fecho da sessão desta segunda-feira (2,76 euros).

"O preço oferecido por ação visa assegurar que os acionistas que adquiriram as suas ações na sociedade visada no decurso da oferta pública de distribuição em 2001 possam vender as ações de que são titulares a um preço semelhante ao preço nominal a que as mesmas foram então subscritas (1.000 escudos, ou seja, 4,99 euros)", explica.

 

O clube Sport Lisboa e Benfica detém todas as ações de categoria A, que são 40%, incidindo agora a compra sobre as de categoria B (ordinárias).

 

De acordo com a empresa, o valor máximo da operação é de 32,7 milhões de euros, "ao qual se deduzirá qualquer montante (ilíquido) que venha a ser atribuído a cada ação, seja a título de dividendos, de adiantamento sobre lucros do exercício ou de distribuição de reservas", sublinha o anúncio preliminar.

 

A um preço de 5 euros por ação, a SAD fica avaliada em 115 milhões de euros, valor que iguala assim o do seu capital social.

 

A Sport Lisboa Benfica recorda que já detém o controlo da SAD, pelo que esta continuará a ser por si dominada após a operação, não resultando qualquer alteração de domínio.

 

E ainda que, no final da oferta, possa ser imputável à Sport Lisboa Benfica uma percentagem de direitos de voto superior a um terço dos direitos de voto correspondentes ao capital social da SAD, "o oferente não estará sujeito ao dever de lançar uma oferta pública de aquisição".

A empresa diz também, neste anúncio, que não irá requerer a saída de bolsa da SAD benfiquista, "mantendo-se assim as ações admitidas à negociação em mercado regulamentado (Euronext Lisbon)".

"É intenção do oferente dar continuidade à atividade empresarial da sociedade visada [SAD do Benfica], enquanto sociedade aberta ao investimento do público sob o domínio exclusivo do Sport Lisboa Benfica", sublinha.

Em 2007, a Metalgest, de Joe Berardo, lançou uma OPA sobre a Benfica SAD. A oferta arrancou a 30 de julho e terminou a 17 de agosto, saldando-se por um fracasso. Em todo o período de receção de ordens, só em duas sessões é que os títulos da SAD superaram a contrapartida de 3,5 euros por ação oferecida por Berardo. Ainda assim, o conselho de administração da SAD encarnada considerou a oferta "inoportuna" devido ao preço – considerando que a proposta do empresário madeirense estava abaixo do valor que os títulos poderiam atingir – e à falta de um plano estratégico para a empresa.

Enquanto esta OPA decorria, o Diário Económico avançou, a 5 de julho, e citando o empresário Vasco Pereira Coutinho, que havia um grupo de investidores chineses a ponderar o lançamento de uma oferta concorrente ao dobro do preço: 7 euros. A notícia levou a que o preço das ações da SAD subisse fortemente e chegaram a ficar suspensas enquanto a CMVM aguardava por esclarecimentos de Pereira Coutinho.

 

O empresário veio depois desmentir esta informação, num anúncio de página inteirano jornal "A Bola". Vasco Pereira Coutinho declarou que "o grupo é da China, mas foram pessoas de Macau, onde nós estamos com alguns investimentos, que nos abordaram com o grupo chinês".

 

"As pessoas que nos abordaram são pessoas amigas nossas e são pessoas amigas comuns do tal grupo chinês, mas que deve ter alguma capacidade para, provavelmente, quando vêm para fora, terem grandes capacidades financeiras". Vasco Pereira Coutinho sublinhou que, na sequência daquela abordagem, "ajudámos a apresentar algumas pessoas, mas não mais do que isso".

 

A CMVM acabou por considerar que houve crime de manipulação de mercado nesta OPA fantasma.


(notícia atualizada pela última vez no dia 19 de novembro às 13:14 com informação sobre o capital detido pela SGPS e pelo clube)




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