Bolsa PSI-20 afunda mais de 2% numa sessão de quedas acentuadas

PSI-20 afunda mais de 2% numa sessão de quedas acentuadas

A bolsa nacional registou a pior sessão desde o final de Maio, altura em que os receios sobre Itália se aprofundaram. A queda superior a 2% do PSI-20 surge num dia de descidas pronunciadas em toda a Europa. E, entre as 18 cotadas do principal índice, 12 caíram mais de 2%.
PSI-20 afunda mais de 2% numa sessão de quedas acentuadas
Reuters
Sara Antunes 10 de outubro de 2018 às 16:47
O PSI-20 recuou 2,19% para 5.035,86 pontos, com 17 cotadas em queda e apenas uma em alta. A bolsa nacional renovou assim o mínimo de Setembro de 2017. Entre os congéneres europeus a tendência é semelhante, com o Stoxx600 a perder mais de 1,5% para um mínimo de Abril. E do outro lado do Atlântico o cenário não é diferente, com o S&P500 a recuar 1,6%.

A bolsa nacional acompanhou assim a tendência que imperou entre a generalidade das praças europeias, e que se agravou com a abertura dos EUA e com a queda dos preços do petróleo, que arrastou as cotadas do sector petrolífero. 

A marcar a sessão ba Europa tem estado Itália, devido às metas orçamentais. A disputa de palavras e de objectivos entre Roma e as instituições europeias tem provocado subidas acentuadas dos juros italianos, que têm subido para máximos de quatro anos. 

Nos EUA, a subida das "yields" no mercado secundário, a reflectir as expectativa do aumento dos juros por parte da Fed, tem levado os investidores a preferirem apostar em activos que beneficiam do aumento do preço do dinheiro, em detrimento do mercado accionistas e obrigacionista, o que se tem reflectido nas bolsas europeias e americanas. 

A contribuir para o acentuar das quedas está também a descida acentuada dos preços do petróleo. O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, está a descer 1,53% para 83,70 dólares, penalizado pela especulação de que a procura de combustíveis seja afectada pela passagem do furacão Michael, na Florida. 

Na bolsa nacional, apenas o BCP escapou à tendência de quedas, ao subir 0,04% para 0,2266 euros depois de ontem ao final do dia a agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P) ter elevado o "rating" do banco liderado por Miguel Maya em um nível. O "rating" do BCP passou assim de BB- para BB, situando-se agora no segundo nível de "lixo". Ou seja, os títulos de dívida por si emitidos continuam a ser considerados especulativos, mas já estão a apenas dois níveis de sair do patamar da categoria especulativa. Já a perspectiva passou de "positiva" para "estável". 

Pela dimensão das quedas, destaque para o sector do papel, com a Altri a fundar 10,83% para 7,82 euros e a Navigator a deslizar 7,14% para 3,90 euros. A justificar estes desempenhos tão vincados estão notas de análise emitidas por bancos de investimento, onde reviram em baixa as suas avaliações para o sector do papel nos EUA. Em causa está a perspectiva de que o crescimento da capacidade de produção da indústria será superior ao aumento da procura, o que deverá pressionar os preços.


Em forte queda fechou ainda a Mota-Engil, ao ceder mais de 5% para 1,79 euros. 

A Jerónimo Martins recuou mais de 2% para 11,20 euros, atingindo assum um mínimo de Janeiro de 2016. A rival Sonae SGPS seguiu a mesma tendência e perdeu 2,85% para 0,8515 euros. 

A Galp Energia, que foi durante a maior parte da sessão a "estrela", acabou por acompanhar o petróleo e sector e cair 0,03% para 16,505 euros.

Os CTT também recuaram quase 5% para 3,19 euros. 

(Notícia actualizada às 17:07 com mais informação)