Mercados IGCP descarta emissões noutras moedas para não dificultar compras do BCE

IGCP descarta emissões noutras moedas para não dificultar compras do BCE

O IGCP vai focar-se nas emissões em euros para não dificultar as compras do BCE cujo limite já está próximo. Quanto a OTRV, a avaliação é que, neste momento, não é o produto mais interessante para ser lançado.
IGCP descarta emissões noutras moedas para não dificultar compras do BCE
Tiago Varzim 14 de outubro de 2019 às 12:23
O programa de emissão de dívida na China é de dois anos e continuará a ser implementado, mas o IGCP não deverá recorrer a mais emissões noutras moedas para não dificultar o programa de compras do Banco Central Europeu (BCE). 

A garantia foi deixada esta segunda-feira, 14 de outubro, pela presidente da agência que gere a dívida pública portuguesa à margem do seminário "Mercados de dívida pública – Desafios num quadro de aprofundamento da UEM" organizado pelo IGCP, o CIRSF e a Comissão Europeia: "Neste momento, [a emissão de dívida noutras moedas] não é uma prioridade", afirmou Cristina Casalinho.

A justificação dada é a segunda onda de compras que o BCE vai começar a 1 de novembro, menos de um ano depois de ter terminado o programa de compra de ativos em dezembro de 2018. Apesar de ter lançado mais compras de 20 mil milhões de euros mensais, o banco central está perto dos "limites" autoimpostos quando estruturou este programa. 

"O BCE está muito próximo dos limites", admitiu Casalinho, argumentando que "se desviarmos os nossos recursos para outras moedas isso dificulta a missão do BCE". Por isso, a estratégia é manter-se "fiel" às "principais prioridades" do IGCP. 

Em maio deste ano, antes de se saber que o BCE ia recomeçar o programa de compra de ativos, a República portuguesa emitiu dívida pública na China naquela que foi a estreia de um país da Zona Euro no mercado de dívida chinês.

Foi aprovado um programa de dois anos por parte das autoridades chinesas em que Portugal pode emitir até cinco mil milhões de renmimbi (moeda chinesa). A primeira emissão foi de dois mil milhões de renmimbi. Neste momento, não está calendarizada nenhuma nova emissão.

IGCP e bancos com "consenso" de que não havia apetite por OTRV
Questionada sobre os produtos para o retalho, nomeadamente as OTRV que estavam previstas mas não avançaram, Cristina Casalinho disse que "há sempre interesse" do IGCP em lançar este tipo de produtos.

No entanto, a decisão é feita em parceria com os bancos dado que o produto resulta de uma parceria entre as duas partes. "Estes [os bancos] também têm que avaliar o apetite e o nível de aceitação da base dos clientes" para este produto. 

Contudo, este ano foi uma "decisão consensual" entre o IGCP e os bancos de que não havia apetite por OTRV. "Avaliámos as condições de mercado e considerou-se que neste momento não é o produto mais interessante", admitiu Casalinho.

No ano passado, a emissão de OTRV teve a taxa mais baixa de sempre neste tipo de produto. Segundo uma análise do Negócios, um investimento até sete mil euros nessa emissão tinha retorno negativo. Ainda assim, 63 mil investidores compraram estas obrigações para o retalho, tendo a procura ficado 1,75 vezes acima da oferta.



pub

Marketing Automation certified by E-GOI