Obrigações Portugal emite 4 mil milhões de euros com forte procura e juro de 0,475%

Portugal emite 4 mil milhões de euros com forte procura e juro de 0,475%

O IGCP emitiu 4 mil milhões de euros em dívida sindicada a 10 anos e a procura superou os 24 mil milhões de euros. O juro fixou-se nos 0,475%.
Portugal emite 4 mil milhões de euros com forte procura e juro de 0,475%
Bruno Simão/Negócios

Portugal pagou uma taxa de juro de 0,475% para emitir 4 mil milhões de euros em dívida sindicada a 10 anos, de acordo com os dados da operação que se realizou esta quarta-feira de manhã e o comunicado do IGCP ao final da tarde.

"A taxa de colocação da nova OT foi de 0,499%, a que corresponde um diferencial face à taxa swap do euro para a mesma maturidade de 33 pontos base, e beneficiou de uma procura mais do que 6 vezes superior à oferta, com o livro de ordens a atingir cerca de 25,7 mil milhões de euros. Esta emissão, onde se fixa uma taxa de cupão de 0,475%, o valor mais baixo de sempre (para qualquer prazo), confirma a evolução extremamente favorável das condições de financiamento de Portugal ao longo do ano de 2019", sublinha por sua vez o Ministério das Finanças em comunicado.

"Esta emissão sindicada permitiu satisfazer desde já cerca de 24% das necessidades de financiamento da República Portuguesa no ano de 2020", acrescenta o ministério tutelado por Mário Centeno.

 

Segundo a Bloomberg, na abertura do livro de ordens o spread foi fixado nos 38 pontos base acima da taxa swap do euro a dez anos, que estava esta manhã em 0,107%. Pouco depois do arranque da operação o "guidance" foi revisto em baixa para 36 pontos base e o valor final ficou em 33 pontos base, o que validava a perspetiva da taxa final ficar abaixo de 0,50%.

A descida do preço ao longo da sessão refletiu a evolução bastante positiva da procura. Segundo a Bloomberg e a Dow Jones, as pré-ordens superaram os 6 mil milhões de euros e no arranque da operação já superavam os 19 mil milhões de euros, o que traduz uma procura robusta por parte dos investidores numa altura em que os analistas indicam que a dívida portuguesa continua atrativa devido ao programa de compras do BCE. 

Quando foram definidos os termos finais, a procura era já superior a 24 mil milhões. O IGCP acabou por decidir emitir 4 mil milhões de euros, pelo que a procura ficou seis vezes acima da oferta. 

 

O IGCP, liderado por Cristina Casalinho, tinha comunicado ontem ao mercado que, tal como tem feito nos últimos anos, pretendia arrancar o ano com uma emissão de dívida com recurso a um sindicato bancário. Ao contrário dos habituais leilões mensais, nas emissões sindicadas não há uma indicação dos montantes que o IGCP pretende emitir. A operação desenrolou-se ao longo do dia, sendo que só ficou completamente fechada mais ao final do dia.

 

Os títulos emitidos hoje representam uma nova linha de Obrigações do Tesouro com maturidade em 18 de outubro de 2030. Os bancos mandatados pela agência que gere a dívida pública são o Citi, o Deutsche Bank, Goldman Sachs International Bank, HSBC, JP Morgan e Novo Banco.

 

Na última emissão a 10 anos, em novembro do ano passado, Portugal financiou-se a 0,333% num leilão regular de OT.

 

Nas emissões sindicadas com a abertura de novas linhas é habitual haver um prémio face a outros tipos de operações de emissão de dívida. No mercado secundário a taxa das obrigações do Tesouro a 10 anos esteve hoje nos 0,357%. Importa também salientar que as obrigações que foram emitidas hoje têm uma maturidade de quase 11 anos, pelo que a taxa não é diretamente comparável com a taxa genérica dos títulos a 10 anos no mercado secundário.

 

Na emissão sindicada realizada no arranque de 2019 o IGCP emitiu quatro mil milhões de euros a dez anos com uma taxa de juro inferior a 2%.


Esta semana a agência liderada por Cristina Casalinho (na foto) divulgou o programa de financiamento de 2020 no qual prevê a emissão de 16,7 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro em 2020, mais do que o emitido em 2019.

(Notícia atualizada com preço final da operação às 18h37 com o comunicado do IGCP e às 21:58 com o comunicado do Ministério das Finanças)




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