Taxas de juro Irlanda faz primeira emissão de dívida sem troika e sem ajuda de bancos com custo mínimo

Irlanda faz primeira emissão de dívida sem troika e sem ajuda de bancos com custo mínimo

Foi a primeira venda de obrigações desde 2010. A Irlanda emitiu mil milhões de euros em obrigações na manhã desta quinta-feira. Os títulos com um prazo a dez anos foram vendidos com uma rendibilidade implícita de 2,967%, a mais baixa de sempre.
Irlanda faz primeira emissão de dívida sem troika e sem ajuda de bancos com custo mínimo
Diogo Cavaleiro 13 de março de 2014 às 10:53

A Irlanda regressou aos mercados de dívida pela primeira vez desde que deixou de estar ao abrigo do programa da troika e sem a ajuda de um conjunto de bancos. Conseguiu fazê-lo ao registar o custo de financiamento mais baixo da era do euro.

 

Foram emitidas obrigações, com um prazo a dez anos, no valor global de mil milhões de euros, sendo que a taxa de juro implícita média se fixou em 2,967%, conforme indica, no seu site, a NTMA, agência que gere a dívida irlandesa, equivalente ao português IGCP. Nunca, desde a entrada em circulação do euro, a Irlanda tinha pago uma taxa tão reduzida para vender dívida a 10 anos. Por comparação, Portugal pagou 5,112% quando, em Fevereiro, emitiu dívida com o mesmo prazo. Já a Alemanha conseguiu pagar apenas 1,75%.

 

A procura por obrigações irlandesas neste leilão superou 2,9 vezes o valor colocado pelos diferentes investidores no mercado primário (onde o Estado vende directamente aos investidores).

 

Esta foi a primeira vez que se realizou um leilão de obrigações desde 21 de Setembro de 2010. Quando anunciou esta emissão, no início da semana, o presidente executivo da NTMA, John Corrigan, afirmou que este iria “marcar a total normalização da presença” do país nesse mercado.  

 

Hoje, voltou a dizê-lo: "A conclusão do leilão de hoje marca o regresso pleno aos mercados pela primeira vez desde 2010 e traz um término bem-sucedido para o programa da NTMA para um regresso gradual aos mercados levado a cabo nos últimos dois anos".

 

Dublin deixou, no final do ano passado, de estar sob a tutela da troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), em que se encontrava desde o final de 2010. No fim desse programa, o Governo liderado por Enda Kenny optou por não pedir uma linha de crédito cautelar, que poderia utilizar caso verificasse dificuldades quando se financiasse junto de investidores. Escolheu a chamada “saída limpa”. Foi o fim da intervenção plena da troika.

 

Depois dessa data, a Irlanda já fez uma emissão de títulos de dívida, em Janeiro, mas, nessa altura, foi através de uma operação sindicada, ou seja, com o suporte dos bancos (são eles que, nestas operações sindicadas, procuram compradores para as obrigações). Nesse dia, para vender obrigações a 10 anos, o Tesouro aceitou pagar uma taxa de juro implícita mais elevada do que a de hoje, de 3,543%.

 

Esta foi, portanto, a primeira emissão sem a ajuda da troika e sem o apoio dos bancos. Isto depois de, no início do ano, a agência de notação financeira Moody's ter deixado de classificar a dívida irlandesa como um investimento especulativo. A economia irlandesa tem estado a recuperar, depois da forte crise dos últimos anos, mas ainda há riscos à espreita

 

Com a operação de hoje, a Irlanda juntou mil milhões aos 3,75 mil milhões levantados em Janeiro. Juntos, perfazem 60% da meta de financiamento de 8 milhões para todo o ano de 2014, conforme indica a nota no site da NTMA.

 

No mercado secundário, onde os investidores trocam títulos de dívida entre si, as taxas de juro associadas também estão a cair. Segundo as taxas genéricas da Bloomberg, a “yield” caiu abaixo dos 3% também pela primeira vez desde a era da troika.

 

 

 

 

(Notícia actualizada às 110h5 com mais informações; notícia actualizada com citação de hoje do presidente da NTMA pelas 12h15)




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