Saúde Oral 2019 Falta de dentes afeta mais de metade da população portuguesa

Falta de dentes afeta mais de metade da população portuguesa

70% dos portugueses têm falta de dentes naturais, revela o último Barómetro Nacional de Saúde Oral.
Falta de dentes afeta mais de metade da população portuguesa

A maior parte dos portugueses tem falta de dentes. Segundo o Barómetro Nacional de Saúde Oral elaborado pela consultora independente QSP para a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), 70% dos portugueses têm falta de dentes naturais – excetuando os dentes do siso – e, destes, 35% já perderam seis ou mais dentes. 8,2% da população portuguesa não tem qualquer dente natural.

 

De acordo com os dados do documento, a conhecer no início deste ano, mais de 30% da população nunca vai ao médico-dentista ou só vai em caso de urgência. Uma subida de 3% face a 2017, sendo que cerca de 41% dos portugueses indicam que não visita o dentista há mais de um ano. 53,6% dos inquiridos afirmam não ter necessidade de ir a consultas de medicina dentária. E mais de 31% dizem não ter dinheiro.

 

O Barómetro revela também que 37,4% dos portugueses nunca marcam consulta para check-up, sendo que só 29,7% marcam uma consulta por ano e, sensivelmente, 13% marcam quando o dentista recomenda.

 

Comentando as conclusões do Barómetro, Orlando Monteiro da Silva, bastonário da OMD, considera que "em questões de saúde oral vive-se num país a duas velocidades". Quem pode aceder a consultas desta especialidade percebe "as vantagens das visitas regulares e mantém a regularidade". Quem, por "falta de recursos ou informação", tem a saúde oral como "algo secundário" sofre as consequências. E estas são que 11% da população portuguesa vive com "falta de mais de seis dentes e sem substitutos, o que prejudica a saúde oral". "A ausência de tantos dentes afeta a qualidade da mastigação, condicionando a ingestão de certos alimentos e pondo em causa a saúde geral."

 

Já em declarações à agência Lusa, o bastonário explica que a perda de dentes naturais é "cada vez mais frequente" a partir da segunda metade da vida, pelos 40 ou 50 anos, reforçando a importância de serem substituídos para as funções mastigatórias ou de fala.

 

"Não chega tratar apenas só o que existe quando já há grandes perdas dentárias", sublinha, reconhecendo que a colocação de próteses ou implantes é atualmente uma realidade apenas nos serviços privados.

 

Por isso, para o bastonário "há um trabalho de reabilitação dentária que é fundamental prever no SNS, ou fica-se a meio do caminho para esta população".

 

Higiene oral e crianças

 

Em relação à higiene oral, os inquiridos pelo Barómetro de 2018 revelam bons hábitos, pois 96,2% dos portugueses, sobretudo as mulheres, escovam os dentes regularmente.

 

Nos cuidados de saúde oral das crianças, a quarta edição do Barómetro conclui que cerca de 63% das famílias portuguesas com menores de seis anos no agregado nunca visitam o médico-dentista, embora admitam ter consciência de que os dentes de leite carecem de tratamento. Orlando Monteiro da Silva alerta ser "um erro brutal em termos de saúde pública" só acompanhar de forma regular as crianças a partir dos seis anos.


Alguns conselhos para ter uma boca e dentes sãos

. Escovar os dentes, pelo menos, duas vezes por dia, uma delas antes de se deitar. Deve escovar-se os dentes durante dois minutos. E estar duas horas sem comer a seguir à escovagem e às refeições principais;
. Mudar de escova de três em três meses;
. Além da escova, que pode ser elétrica ou não, também deve usar o fio ou fita dentária e escovilhão. O ideal é fazê-lo uma vez por dia, de preferência à noite antes de deitar;
. Utilizar uma escova dentária de tamanho adequado. Estas devem ser macias, evitando lesões nos dentes e gengivas e de preferência com a cabeça pequena para alcançar todas as áreas da boca;
. Supervisionar a higiene oral das crianças, para garantir que levam a cabo uma boa técnica de escovagem;
. Ir ao médico-dentista pelo menos uma vez por ano;
. Moderar o consumo de alimentos e bebidas açucaradas, que propiciam o desenvolvimento de cáries. Não fumar;
. No final da higiene oral, não se deve passar a boca por água, mas sim cuspir o excesso de dentífrico. Deste modo, a ação dos compostos fluoretados ou antimicrobianos será mais prolongada.

Fontes: Farmácias Portuguesas e Ordem dos Médicos Dentistas




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