O admirável banco da inteligência artificial

A ciência dos dados está a transformar as áreas de risco, de crédito, de marketing, de oferta aos clientes, da tecnologia e dos recursos humanos dos bancos. Não se ficou apenas pelas áreas de menor valor acrescentado.
O admirável banco da inteligência artificial
João Dias diz que o impacto da inteligência artificial na banca vai crescer
DR
Filipe S. Fernandes 15 de outubro de 2019 às 11:00

"A Inteligência Artificial já tem e vai ter ainda mais impacto em várias áreas funcionais da banca", garante João Dias, Chief Digital Officer do Novo Banco. Melhora os modelos de risco e fraude no negócio bancário tradicional do crédito. O uso de mais informação, como a não estruturada, afina a precisão dos modelos de risco.

O recurso a fontes de informação não tradicionais, pode aumentar o acesso ao crédito, "sem que isso signifique níveis de risco superiores, o que pode ter um impacto positivo na sociedade e na economia", refere João Dias.

Finalmente, com modelos mais precisos, "pode-se também aumentar a automatização da decisão de crédito, o que permite servir os clientes de forma mais rápida e conveniente através de canais digitais", conclui o homem do digital no Novo Banco.

Risco das empresas

Adianta ainda que, por exemplo, na gestão de risco no segmento de empresas, a Inteligência Artificial permite que se use a "informação da rede empresarial dos clientes para medir e prever o impacto de um período de dificuldades financeiras na cadeia de valor dos nossos clientes".

Como diz João Freire de Andrade, "a ciência dos dados impacta diretamente todas as atividades relacionadas com estimativas ou previsões. Ou seja, a melhoria de recolha e tratamento dos dados leva a que se possa fazer uma análise mais completa e relevante dos dados recolhidos". Com uma quantidade e qualidade de dados maior, o cálculo da probabilidade de default da concessão de crédito a um cliente será mais adequado, rápido e eficiente, exemplifica.

Abre possibilidades a que por exemplo o BBVA tire partido do credit scoring desenvolvido pela startup espanhola Fintonic, com base na informação das contas agregadas pelo cliente na aplicação, para poder conceder, em três minutos, até 30 mil euros em crédito.

Outra área de negócio que a Inteligência artificial está a mudar é a das recomendações e ajuste da oferta a clientes. Através da informação agregada de várias contas bancárias e outras fontes de informação, podem-se identificar, cliente a cliente, oportunidades de melhoria da saúde financeira como o aumento e otimização de alocação de poupanças, otimização de despesas com a casa. No segmento empresarial pode significar a descoberta de novas oportunidades de exportação, otimização dos ciclos de tesouraria ou redução da base de custos.

Impacto no marketing

"O impacto também é claro no caso do marketing, desde uma melhor experiência a uma personalização da jornada do cliente que a ciência de dados potencializa por permitir realizar uma estimativa daquilo que o cliente vai gostar de ver ou receber", diz João Freire de Andrade.


A inteligência artificial está a alterar as funções de marketing.


O que merece a concordância de João Dias. Refere que "internamente, as funções de marketing estão a ser transformadas pela IA, porque a automatização de processos analíticos permite focar a atuação nas necessidades reais dos clientes e na personalização da comunicação de acordo com a pertinência da oferta. Os próprios produtos a serem criados pelo banco podem ser inferidos e aprendidos pelo banco, da forma semelhante à que a Netflix cria séries com base no gosto dos seus clientes".

Mas esta transformação atinge também as áreas de tecnologia, que começam a utilizar modelos de AI para deteção de anomalias de serviço, gestão de incidentes automatizada e cibersegurança com aprendizagem automática e os recursos humanos podem utilizar chatbots para responder a dúvidas dos colaboradores.

O desenvolvimento de todas estas tecnologias, como Inteligência Artificial, Machine Learning, Advanced Analytics tem estado a transformar a cadeia de valor do negócio bancário, tanto no core business como nos processos sem valor acrescentado.

Como refere João Freire de Andrade, estas tecnologias até começam por ter um maior impacto grande na automatização de tarefas repetitivas e sem valor acrescentado que o cliente não vê mas que são intensivas a nível de mão-de-obra e passam a ser mais eficientes. "Isto irá permitir a requalificação dos empregados com vista a processos que acrescentam valor - isto é, se um Financial Advisor de um Banco não tiver de perder tempo a preencher burocracias, poderá receber mais clientes, o que torna o negócio mais eficiente", diz João Freire de Andrade.





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