Fragmentação dos mercados financeiros penaliza Portugal

Pedro Passos Coelho defendeu a necessidade de acabar com a fragmentação de mercados na UE, como o financeiro, energético e o digital, porque criam diferenças acentuadas entre países.
Fragmentação dos mercados financeiros penaliza Portugal
Pedro Passos Coelho abriu o segundo workshop das Exportadoras Outstanding.
Filipe S. Fernandes 11 de julho de 2019 às 13:00

O Parlamento Europeu tem alargado os seus poderes e importância e hoje é "co-legislador e co-decisor pois tem uma posição decisória sobre a Comissão Europeia a par do Conselho Europeu", disse Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro, na abertura do segundo workshop do projeto Exportadoras Outstanding, uma iniciativa do Fórum para a Competitividade de apoio à exportação e internacionalização, que teve nas eleições europeias um dos temas.

Nestas recentes eleições europeias, em que havia alguma polarização política, Pedro Passos Coelho, professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, e na Universidade Lusíada, detetou a emergência de um debate europeu que atravessou as várias eleições nacionais, embora "em Portugal não se tenha sentido muito". Considerou que as várias sondagens e estudos de opinião mostram que "o que mais preocupa o cidadão europeu é o futuro e é aqui que se vai centrar o debate político", afirmou no evento que se realizou no Nerlei, em Leiria, a 3 de Julho.

Regulação e burocracia

Durante o debate, Luís Castro e Almeida, administrador-delegado do BBVA Portugal, colocou a questão do excesso de regulação e de iniciativas legislativas europeias. Para Pedro Passos Coelho, "o excesso de regulação e a crítica à burocracia não é nada de novo e que não basta fazer diretivas, mas que estas sejam bem transpostas". Sublinhou que era "importante que a União Económica e Monetária permitisse a diversificação das fontes de financiamento e abolisse a fragmentação dos mercados financeiros, porque as diferenças dos custos de financiamento são acentuadas e é um fator discriminatório". Observou ainda que há ainda uma fragmentação de mercados como o energético e o digital.

A obsessão com o emprego e não com o trabalhador torna o sistema mais lento, pesado e menos capaz. Pedro passos coelho
Antigo primeiro-ministro e professor no ISCSP


Luís Castro e Almeida salientou ainda o facto das políticas públicas serem muito direcionadas para as pequenas empresas numa "agenda totalmente oposta à agenda europeia, que vai no sentido das empresas crescerem e ganharem dimensão, ao contrário do que acontece em Portugal".

Obsessão do emprego

Pedro Passos Coelho referiu que em Portugal são as PME que geram e fixam emprego, "por isso a maioria das políticas tem em conta essa preocupação. Mas em vez de estarmos preocupados com o emprego, devíamos estar mais preocupados com os trabalhadores, ou seja, permitir a evolução e valorização das pessoas. A obsessão com o emprego e não com o trabalhador torna o sistema mais lento, pesado e menos capaz. Há que trabalhar em soluções que ajudem as empresas a ganhar escala".

Vítor Bento, economista e membro do Conselho Consultivo do Forum para a Competitividade, alertou para o facto de a Europa ser um "buraco negro" a nível tecnológico. Na sua opinião, "o mundo tecnológico está a ser dominado pelos EUA, a Europa está dependente disto e nunca conseguiu criar uma alternativa". Pedro Passos Coelho diz que a Europa tem anunciado sucessivamente que o objetivo seria estar na fronteira do conhecimento, mas a Europa "chegou ao fim da década de 90 do século passado com um enorme atraso em relação aos EUA e Japão e isto é um problema claramente identificado e que se mantém".

No encerramento desta sessão de trabalho, Pedro Ferraz da Costa defendeu a existência de uma delegação de empresas portuguesas em Bruxelas para estabelecerem uma ponte entre as necessidades, a realidade e as políticas nacionais com as políticas e medidas tomadas a nível europeu.




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