Poupança & Consumo

Uma das mais relevantes variáveis das economias mais desenvolvidas é o stock de poupança dos seus agentes económicos, o que reflete, fundamentalmente, o diferencial entre rendimento disponível e o que é dedicado a consumo e investimento.
Negócios 09 de dezembro de 2019 às 10:36

Observando as estatísticas do Banco de Portugal poderemos verificar que a poupança dos particulares estará nuns 4,5% quando a Zona Euro regista 12,9% e os EUA 8,1%, e o mais relevante é que, enquanto os valores da nação descem, os restantes blocos registam valores de subida, onde nem os salários nem o tempo de trabalho semanal aumentaram.

Existem diversas explicações para a divergência, mas a mais óbvia é que a nossa propensão para o consumo é mais elevada mesmo que tenhamos de recorrer a financiamento para produtos de segmento elevado (ou afastado do padrão de remunerações) e o rendimento não se encontre acima dessa referência. Tal não constitui um pecado capital nem um drama, apenas reduz a capacidade de consumo após a vida ativa ou na ausência de uma atividade laboral, total ou parcial.

Motivações e cultura à parte, num contexto de baixas e, mesmo negativas, taxas de juros (o que anula a capacidade de gerar retorno das aplicações financeiras), e com os países limitados na sua capacidade em aumentar ainda mais as já elevadas "pilhas de dívida soberana" (o que reduz a possibilidade de emitir ainda mais dívida para financiar planos de poupança estatal), as famílias que conseguirem estruturar planos de poupança a dez ou vinte anos podem defrontar-se com redução dos níveis de qualidade de vida e desafios em manter o poder de compra, se a sua capacidade de financiamento for finita (o que é usual e habitual).

Existem diversas ofertas e temas que estimulam a cultura da poupança que tem evoluído mais motivada pelas menores ou ausentes remunerações das tradicionais aplicações a prazo que eram oferecidas a troco de zero risco de capital. Porém, estamos noutro cenário em que, para obter uma remuneração, teremos de assumir pelo menos algum risco de capital para conseguir remunerações acima da inflação ou que se possa aproximar (por baixo) das históricas rentabilidades.

As composições da média das carteiras de médio e longo prazo (para janelas de tempo de cinco, sete e dez anos) passam por distribuições de 60%-70% em obrigações a 40%-30% em ações e fundos de investimento (geográficos, setoriais, estratégias, alocações alternativas, etc.). Sem inflação e com a expectativa de que os juros serão baixos nas próximas décadas, implica já que os investidores tenham de fazer uma gestão mais "fina" recorrendo a colocações de instrumentos de dívida (obrigações de empresas e soberanas), em mercado primário quando são emitidas próximo ou a 100% e exigem alguma capacidade de seletividade e ter critério na concessão de crédito (porque são títulos que traduzem investimentos a empresas e países).

No que se refere às ações, os investidores procuram encontrar empresas que dominam o setor que integram, estabilidade nas receitas e nas margens de lucros, relevantes quotas de segmentos de mercado, marketing apropriado, geração de lucros e capacidade de libertação de meios financeiros. Parecem muitas variáveis, mas até são bastante intuitivas se as relacionarmos com as mais emblemáticas empresas com contas que traduzem saudáveis desempenhos económico-financeiros, estabilidade na remuneração dos investidores que colocam a sua poupança no capital social de uma empresa, ou seja, que pagam aos seus acionistas por participarem em sustentados projetos de empresa.

Aqui importa também relacionar o endividamento da empresa com o seu resultado operacional (quantos exercícios demora/são necessários para liquidar o financiamento), quantos resultados anuais consomem a avaliação de mercado (ou capitalização bolsista), entre outras. Se estas matérias ainda não se assemelham intuitivas então procure as diversas apresentações que se encontram disponíveis e acessíveis ao público em geral, mas não deixe de as contemplar nem que seja numa vertente desportiva ou lúdica, porque o seu património financeiro atual e rendimento a prazo poderão agradecer.


JOGO DA BOLSA

18 de Novembro a 13 de Dezembro

As classificações do Jogo da Bolsa são atualizadas diariamente. Em primeiro lugar, um top é publicado no Negócios e às 14 horas a listagem total é publicada no Jornal de Negócios Online. Para o efeito, todos os dias é retirada uma classificação provisória da Classificação Global, a Classificação Universitária e da Classificação Universo ISCTE Business School. Depois, todas as terças-feiras, é divulgado o vencedor semanal.



*João Queiroz, Diretor de Negociação Eletrónica da GoBulling, Banco Carregosa



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