5 ideias para o mercado de capitais

Mais literacia financeira para criar apetência nas pequenas poupanças por outro tipo de produtos é essencial. Mas não chega. José Azevedo Rodrigues propõe cinco ideias.
5 ideias para o mercado de capitais
José Azevedo Rodrigues, Vice-reitor do ISCTE-IUL
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 03 de abril de 2019 às 11:30

Para José Azevedo Rodrigues, vice-reitor do ISCTE-IUL e ex-bastonário da Ordem dos Revisores Oficias de Contas, a fraca literacia financeira na nossa população contribui para uma limitada cultura financeira, quer na falta de apetência ao risco dos detentores de poupanças, quer ainda na ausência de conhecimento de outros produtos financeiras, designadamente, características, risco e rendibilidade.

Um dos problemas em Portugal passa pela poupança. Como é que se pode e que mecanismos poderiam ajudar a aumentar a poupança?
Cerca de 50% do rendimento disponível das famílias português são provenientes dos rendimentos do trabalho. Destes tem-se vindo a assistir a uma redução significativa do índice de poupança situando-se atualmente apenas entre os 5 e os 6%, o que corresponde a menos de 1/3 do verificado durante a década de 80. Os hábitos de consumo alteraram-se, dando-se relevo a fatores de conforto (alojamento, alimentação, viagens) menos valorizados há alguns anos atrás. Por outro lado, o reduzido nível salarial dos portugueses quando confrontado com o de outros cidadãos europeus, não lhes deixa muita margem para destinarem quantias relevantes para a poupança.

O investimento cultural em literacia financeira, aliado à oferta no mercado de produtos com boas taxas de rendibilidade, com reduzidos custos de operação e instrumentos que constituam um garante da confiança dos investidores, poderão ser os pilares para a atratividade das pequenas poupanças.

Como é se poderia dinamizar o mercado de capitais, tornando-o atrativo para os investidores não institucionais?
Para além da promoção de uma maior literacia financeira, que é fundamental para a criação de uma apetência por outra natureza de aplicações das poupanças que não apenas em produtos tradicionais, podem-se lançar algumas vias de desenvolvimento paralelo ao atual mercado de capitais (Bolsa).

Deixo 5 ideias chave:

Lançamento, por parte da oferta, de produtos com maior proximidade entre investidor e empreendedor, do tipo peer to peer;

Criação de mecanismos que garantissem transparência e segurança da oferta, criando um modelo que permita um forte escrutínio dos operadores e das operações;

Redução significativa dos custos de transação, quer na entrada, quer na manutenção, quer ainda na saída. Este facto exigiria menor taxas de rendibilidade aos promotores, permitindo que investimentos de baixo risco mas com menor taxa de rendibilidade pudessem ser atrativos para muitos aforradores;

Aproximação do financiador ao investidor deixando, se possível, "uma porta aberta" entre ambos para que aqueles que aplicam as suas poupanças pudessem fazer o escrutínio não só sobre a forma com elas estão a gerar riqueza, como também da gestão das suas expectativas de segurança quanto à sua recuperação;

Criação de mecanismos de controlo e supervisão que atuassem com rigor, agilidade e eficácia. Por exemplo: os indícios de riscos potenciais de incumprimentos deveriam ser monitorizadas por forma a mitigar os riscos de "default" através de auditoria especial focada nesses riscos; as ações de incumprimento de qualquer uma das partes deveriam ser rapidamente julgadas e encerradas, etc.




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