A rentabilidade está no mercado acionista

Mário Carvalho Fernandes refletiu sobre o futuro do mercado de capitais.
A rentabilidade está no mercado acionista
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 03 de abril de 2019 às 14:30

Os potenciais riscos mais imediatos, de curto prazo, nos mercados financeiros como o Brexit, as guerras comerciais, os movimentos políticos mais extremistas, ficaram para segundo plano, e Mário Carvalho Fernandes, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, focou-se numa visão mais global do que são os mercados financeiros e quais são os fatores que continuem para a valorização ou desvalorização dos mercados acionistas.

O bull market é um ciclo que já vai longo, tem vários anos, poderá "estar a morrer de velhice", mas não se está à beira de um bear market, que, porém, estará sempre à espreita "para vir assustar os nossos investidores", referiu Mário Carvalho Fernandes na sua apresentação sobre o Futuro dos Mercados Financeiros. O que não acontece com os ciclos económicos que têm tido uma tendência nos últimos anos para se tornarem mais longos, sobretudo "desde que o dólar deixou de estar amarrado ao padrão-ouro, e a política monetária passou a ter mais flexibilidade e a conseguir acomodar as variações de ciclo económico com políticas no sentido da estabilização as flutuações".

Para o futuro é preciso compreender não só a economia norte-americana, mas também a europeia e a chinesa. As previsões para o crescimento mundial andam em torno dos 3,5%, embora na Europa se preveja 1,7%. Em relação aos Estados Unidos, os vários indicadores mostram que não é previsível uma recessão, com o emprego e o consumo estáveis, tendo em conta que os salários os americanos representam 15% do crescimento global, tudo isto sem pressões inflacionistas. Há um facto a considerar pois a Reserva Federal de Nova Iorque compila um indicador sobre a probabilidade de recessão a um ano, e este indicador tem estado a subir. "Pode-se dizer que a economia americana está num sweet spot", concluiu Mário Carvalho Fernandes.

A Europa tem registado abrandamento como mostram os vários indicadores, devido ao ambiente de incerteza provocado pelo Brexit e com a procura externa, com a crise financeira na Turquia e com a China a importar menos da Europa, a afetar as exportações. Mas o consumidor a sente-se relativamente otimista, com um mercado de trabalho com alguma vitalidade, com pouca inflação e spreads dos países periféricos estáveis. "Para a Europa diria que se deve estar em estado de vigilância mas não de alerta", sublinha Mário Carvalho Fernandes.

A China é uma economia controlada, as autoridades estão a tentar desalavancar a economia sempre que as condições globais o permitem, como em 2018, quando havia um crescimento económico sincronizado. Por isso a economia chinesa entrou em abrandamento, mas com os estímulos entretanto efetuados deverá haver um crescimento económico, com uma valorização do yuan, a que se junta o eventual acordo comercial com os Estados Unidos.

Os mercados acionistas têm tido um bom comportamento, que tem sido suportado pelo crescimento do lucro das empresas, nomeadamente nos Estados Unidos. O preço está a ser influenciado pelos resultados, ao contrário de outros mercados acionistas no passado. «Estamos em tempos de valorização relativamente baixa. A um ano podemos dizer o S&P pode valorizar 40% ou perder 40%, o que representa uma grande volatilidade mas a 10 anos, estamos numa valorização no mercado acionista entre os 5 e os 10%», considera Mário Carvalho Fernandes.

No seu outlook Mário Carvalho Fernandes apontou para o mercado acionista, pois não há muitos ativos que permitam ter rentabilidades reais positivas. Nos ativos sem risco, a rentabilidade real vai ser igual ou superior a menos 3%. Para ter rentabilidades reais positivas é preciso procurar ativos com riscos como os mercados acionistas, que oferece maior rentabilidade por unidade de risco a prazo, e as geografias mais atrativas são a Europa e os mercados emergentes por apresentarem níveis de valuation mais baixos. Na parte dos ativos com menor risco, as obrigações soberanas são desinteressantes e nas obrigações, à medida que vamos subindo no espetro do risco, há rentabilidades reais mais atrativas.




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