Aforrador português é conservador

Mário Carvalho Fernandes fala sobre o perfil do aforrador
Aforrador português é conservador
Mário Carvalho Fernandes, Diretor de investimentos do Banco Carregosa
Inês Gomes Lourenço
Filipe S. Fernandes 03 de abril de 2019 às 13:30
Como é que se pode criar uma cultura de investimento mais sofisticada em Portugal que não se limite aos depósitos a prazo e aos produtos do Estado?
Desde logo, verifica-se que o aforrador português é tipicamente conservador e com grande aversão a perdas. Esta situação deriva de questões culturais, do baixo nível de literacia financeira e do reduzido nível de rendimento disponível para poupança de uma grande parte da população. A prestação de informação e formação ao nível do planeamento financeiro contribui para uma melhor adequação dos investimentos em relação aos objetivos e perfil dos portugueses. O combate à reduzida literacia financeira é essencial para se criar uma cultura de investimento em Portugal.

Um dos problemas em Portugal passa pela poupança. Como é que se pode e que mecanismos poderiam ajudar a aumentar a poupança?
A poupança resulta da parte do rendimento disponível que não é orientada para o consumo. Existem mecanismos ao nível da política fiscal que permitem atuar sobre essas grandezas, influenciado as decisões dos agentes com incentivos fiscais à poupança e aumento da carga fiscal sobre o consumo. O aumento do nível de cultura de investimentos também poderá contribuir para um melhor planeamento financeiro das famílias e, dessa forma, aumentar o valor da parcela que consegue dedicar à poupança.

Qual a importância de jogos de simulação, como o Jogo da Bolsa, para criar uma cultura de investimento?
As plataformas de negociação que permitem gerir um património virtual são um instrumento muito útil para o aumento da familiarização dos investidores com os diferentes instrumentos financeiros sem o risco de perda de capital associado a uma gestão de património real.

Este processo permite que os investidores testem e ajustem os seus conhecimentos técnicos, estratégias de negociação e de diversificação, mas num ambiente de total ausência de risco ou compromisso com a estratégia seguida, pois qualquer insucesso pode ser descartado, iniciando-se uma nova conta de simulação.

Iniciativas como o Jogo da Bolsa permitem uma maior aproximação ao mundo real. Tratando-se igualmente da gestão de uma carteira virtual, o facto de decorrer num ambiente competitivo, público e regulamentado aumenta o grau de compromisso de cada investidor com a estratégia seguida. Estas experiências são muito enriquecedoras para os participantes que podem assimilar as dificuldades do processo de investimento, aumentar o seu nível de conhecimento dos vários instrumentos financeiros e acompanhar a forma como o seu valor reage aos diferentes eventos económicos, políticos e financeiros.

Todo este processo irá contribuir para melhorar o auto conhecimento de cada um, através da melhor perceção da sua capacidade para lidar com a volatilidade dos diferentes instrumentos financeiros e dessa forma interiorizar o seu perfil de risco e o respetivo grau de adequação de cada investimento. Este nível de auto conhecimento é essencial para o sucesso de um planeamento financeiro de longo prazo.



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