As novas tendências de investimento

"Os investidores em todo o Mundo tendem a investir no mercado financeiro mais próximo do seu quotidiano para ter familiaridade com as empresas em que investem"
As novas tendências de investimento
Bloomberg
Filipe S. Fernandes 03 de abril de 2019 às 12:00

"Os investidores em todo o Mundo tendem a investir no mercado financeiro mais próximo do seu quotidiano para ter familiaridade com as empresas em que investem", sublinhou Mário Carvalho Fernandes. A diversificação é um almoço grátis que temos, adiantou o especialista, que aconselhou "uma diversificação por geografias acaba por ser uma vantagem e isso implicaria que não houvesse uma concentração de investimento apenas no seu país de origem".

"A proximidade das empresas em que se investe pode contribuir para ter uma maior análise mais conhecedora dessas empresas e poder beneficiar de algumas ineficiências que as vezes existam. No mercado português, como é um mercado mais estreito e mais propenso a essas ineficiências poderá se a longo prazo mais compensador". "Os ativos de risco dos países periféricos têm sido penalizados pelo projeto europeu e em Portugal e em Espanha, os investidores têm exigido um prémio para investir nestas geografias que está lá para quem correr esse risco".

Hoje o mercado está assente sobre plataformas tecnológicas, a possibilidade de um evento que as possa colocar em causa, rasgar a estabilidade da base, acaba com o mercado num ai. João Duque
Professor do ISEG


Rui Alpalhão sublinhou que "o enquadramento global é de search yield", porque "com os juros muito baixos, despoleta um processo de search yield que necessariamente tem de ser satisfeitos com activos não tradicionais, com a busca de activos que possam acrescentar às carteiras níveis de rentabilidade mais compatíveis com as remunerações próximas daquelas que foram, no passado, prometidas aos investidores".

Explica que o aquecimento do imobiliário em Portugal, que deu um salto de 30% e que deve subir a um ritmo de 5% ao ano, tem sempre a ver com a entrada nos radares dos investidores europeus, como aconteceu com o mercado de escritórios nos 1990 e atualmente com o mercado residencial.

Fuga à regulação

Filipe Garcia fez um resumo de outras alternativas de investimento como, por exemplo, os mercados privados. Quando se fala em investimento, pensa-se em mercados financeiros, bolsa, obrigações, fundos de investimento, os produtos de poupança do Estado. Nos últimos anos, predomina a procura e oferta em instrumentos não financeiros. "Pelas questões de regulação, os investidores e quem quer captar o investimento estão a sair dos mercados regulados. Estamos a ver muito private equity a ser feito, o que explica por que é que muitas empresas não entraram em Bolsa e outra saíram", diz Filipe Garcia.

Uma de que não se tem falado muito é o mercado de endividamento "e até já temos empresas cotadas em Bolsa que se dedica a essa atividade como a Flexdeal e a Raize. Temos um visto florescer um negócio a nível mundial em que a China foi de alguma maneira percursora. Quem for crítico chama-lhe shadow bank, mas é certo que algumas entidades não bancárias que concedem direta ou indiretamente empréstimos, normalmente titulados, a empresas", refere Filipe Garcia. São empréstimos a taxas de juro mais elevadas, a probabilidade de incumprimento é maior. Estes empréstimos fazem uma ultrapassagem aos outros credores, que ganham prioridade face aos outros créditos, porque são titulados.




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