Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 22 de abril de 2018 às 18:00

Boa evolução do setor bancário em 2017

A necessidade de vender ativos, de racionalizar a rede de agências e de apostar cada vez mais na banca eletrónica, vai fazer com que os bancos continuem uma trajetória de racionalização da rede de retalho e, consequentemente, uma diminuição da dimensão dos serviços centrais.

Após anos de agonia que obrigaram a nacionalizações, resoluções, restruturações, aumentos do capital social sucessivos, venda de ativos em valor significativo, entre outros episódios, 2017 significou para o setor bancário uma melhoria da sua situação financeira, embora grande parte do caminho ainda esteja por fazer.

 

De acordo com um relatório recente do Banco de Portugal e respeitante à evolução do setor bancário nacional (último trimestre de 2017), verifica-se uma diminuição do crédito vencido e uma melhoria da rendibilidade.

 

A dinâmica económica foi um fator preponderante para uma situação de menor pressão sobre os bancos. Contudo, o processo de desalavancagem do setor continuou em 2017.

 

No final de 2012, o ativo da banca totalizava 493 mil milhões de euros. Desde então, esse valor decresceu todos os anos. No final de 2017, o valor do ativo do setor era de 381 mil milhões de euros (menos 5 mil milhões de euros do que no final de 2016). Mesmo com a economia portuguesa a crescer 2,7% em 2017, a banca continuou a emagrecer. E, provavelmente, assim continuará nos próximos tempos.

 

A necessidade de vender ativos, de racionalizar a rede de agências e de apostar cada vez mais na banca eletrónica, vai fazer com que os bancos continuem uma trajetória de racionalização da rede de retalho e, consequentemente, uma diminuição da dimensão dos serviços centrais.

 

Outro aspeto importante é a continuada diminuição do financiamento do setor junto do BCE. No final de 2017, o financiamento da banca junto do BCE era o menor valor desde março de 2010.

 

O rácio de transformação entre empréstimos e depósitos de clientes passou de 122,6% no final de 2012 para 92,6% no final de 2017 (95,3% no final de 2016).

 

Por sua vez, a liquidez do setor bancário no final de 2017, apesar de ser menor do que um ano antes, continuava num nível confortável, bastante acima do valor mínimo exigido em termos regulamentares a partir de 1 de janeiro de 2018 (100%).

 

O rácio de NPL ("non performing loans") ou crédito vencido, passou de 17,2% no final de 2016 para 13,3% no final de 2017, ou seja, diminuiu 3,3%, sendo que o maior contributo para esta diminuição foi das sociedades não financeiras.

 

Em termos de performance, o setor passou a ter uma rendibilidade dos capitais próprios positiva. Passou de -7,6% em 2016 para 3,5% em 2017. Por sua vez, a rendibilidade do ativo do setor passou de -0,6% em 2016 para 0,3% em 2017. Apesar de a rendibilidade dos capitais próprios e do ativo ainda ser bastante reduzida em 2017, já foi evidente uma inversão de tendência.

 

Outro indicador de performance que qualquer analista financeiro gosta de monitorizar na banca é o rácio "cost-to-income" (a relação entre os custos e os proveitos operacionais). Este indicador, quanto mais baixo, melhor é a performance. No final de 2017, este rácio foi de 52,9% (58,9% em 2016 e mais de 65% em 2012).

 

A solvabilidade dos bancos também melhorou nos últimos anos: o rácio Common Equity Tier 1 (CET1) passou de 11,4% no final de 2016 para 13,9% no final de 2017, enquanto o rácio de fundos próprios totais passou de 12,3% para 15,2%.

 

Portanto, boas notícias para um setor cuja saúde e vigor são fundamentais para o desenvolvimento da economia portuguesa.

 

Economista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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