Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 14 de outubro de 2018 às 18:20

O Produto Interno Bruto (PIB) deveria estar a crescer mais

A crise iniciou-se há cerca de 10 anos. Como estava Portugal nessa altura e atualmente? Será que com uma taxa de desemprego de 6,7%, o PIB não deveria estar a crescer mais? E, se sim, porque não cresce?

Vamos focar-nos no período de 2007 a 2017/18. O PIB era de 175.468 milhões de euros em 2007 e nesse ano cresceu 2,5% face ao ano anterior. A taxa de desemprego era de 8%.

 

O PIB foi de 193.072 milhões de euros em 2017 (dados preliminares), cresceu 2,7% face a 2016 e a taxa de desemprego atual é de 6,7%. Entre 2007 e 2017, o PIB cresceu 1% ao ano, o que é um valor baixo, quando comparado com o ritmo de crescimento da União Europeia (UE).

 

Em 2018 e 2019, o PIB irá crescer 2,3% e 1,8% segundo o FMI e 2,3% em ambos os anos segundo o Governo.

 

Se hoje a taxa de desemprego é mais baixa do que em 2007, por que razão não estamos a crescer 3% ou mais ao ano? Uma das razões é o reduzido peso do investimento. Em 2000, o investimento (FBCF) representou 28% do PIB. Em 2017, representou apenas 16,2%. Apesar do crescimento registado em 2017, ainda há muito para recuperar face ao período antes da crise. O investimento foi pouco diversificado, sobressaindo o peso do investimento imobiliário. O país carece de investimento produtivo a médio-longo prazo nos setores primário e secundário e não apenas nos serviços.

 

Outra das razões é a baixa poupança. Segundo o Eurostat, a poupança das famílias em Portugal em 2017 foi de 5,3%, contra 9,85% da média da UE e 11,96% da Zona Euro. Por exemplo, em 2007, a taxa de poupança das famílias portuguesas era de 7% e em 2009 de 10,4%. Espanha tinha em 2016 uma taxa de poupança das famílias de cerca de 8%, Itália de 10,4%, França de 13,5% e a Alemanha de 17,1%.

 

Outra razão é a baixa produtividade. O crescimento económico em Portugal tem beneficiado de um enquadramento internacional favorável e não do efeito da continuação de reformas, tão necessárias ao crescimento sustentado da riqueza e da produtividade.

 

A taxa de desemprego terá mais dificuldades em reduzir-se, porque para tal, o PIB deveria estar a crescer a uma taxa superior a 3%. A criação de emprego tem sido baseada sobretudo em baixos salários, o que inviabiliza a médio-longo prazo a poupança, o consumo e o investimento das famílias portuguesas.

 

Este é um problema estrutural do país e que urge começar a resolvê-lo. Países que têm taxas de desemprego semelhantes a Portugal estão a gerar maior crescimento da riqueza.

 

A Lituânia tem uma taxa de desemprego de 6,75% e o PIB cresceu 3,8% em 2017 (em junho deste ano, o crescimento anual era também de 3,8%), a Letónia tem uma taxa de desemprego de 7,4% e o PIB cresceu 4,5% em 2017 e a Eslováquia tem uma taxa de desemprego de 6,9%, tendo o PIB crescido 3,4% em 2017 (3,9% em junho deste ano em termos anuais).

 

O atual ciclo de crescimento económico do país está abaixo do seu nível potencial e está abaixo do que acontece com países similares, o que é uma desvantagem comparativa.

 

Não vale a pena festejar porque não há assim tantas razões para isso. Pelo contrário, o país tem de continuar o esforço para atrair investimento nacional e sobretudo estrangeiro. E não inventem mais impostos, taxas e taxinhas!...

 

Economista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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