Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 05 de novembro de 2019 às 18:53

Poupança em mínimos e consumo em máximos

A poupança é uma variável importante para o futuro crescimento económico. O excessivo endividamento é um problema a prazo, especialmente, quando as taxas de juro começarem a subir na Europa ou quando o ciclo económico se degradar.

Escrevo este artigo no dia mundial da poupança, 31 de outubro. Anualmente, fala-se intensamente neste dia de poupança ou da falta dela, tendo em conta o baixo valor da mesma e o elevado endividamento da economia e das famílias.

 

Face ao rendimento disponível, a taxa de poupança das famílias está nos 3,4%, quando em países europeus mais desenvolvidos que Portugal, varia entre os 8,6% e os 10,8%.

 

A poupança face ao rendimento disponível é atualmente 2,5 vezes menor que em 1988 e 3 vezes menor que em 1978, segundos dados da Pordata.

 

Terminamos o ano de 2018 com uma poupança das famílias face ao PIB de 4,5%, o que contrasta com valores de quase 15% em 1995, altura em que Portugal apresentava um dos valores mais elevados do mundo.

 

Por estranho que pareça, nos anos após o resgate do país, 2011, 2012 e 2013, a taxa de poupança das famílias foi bastante mais elevada: 8,8%, 10,2% e 9,7% respetivamente.

 

Ou seja, quando as coisas pioram em termos económicos e onde é mais difícil poupar, é quando a generalidade dos portugueses decidem fazê-lo, travando a fundo no consumo.

 

Pelo contrário, quando o rendimento disponível é maior e a economia cresce, a taxa de poupança dos portugueses cai a pique, o consumo sobe a máximos, tal como o endividamento.

 

 

Conclusão: é necessário que haja muita formação sobre poupança, transversal a todas as idades, começando nos alunos do ensino básico. É fundamental que desde criança, nas escolas e em casa, os portugueses sejam habituados a regras de poupança, com uma explicação clara e objetiva das virtudes em poupar e dos riscos em não o fazer de forma equilibrada.

 

À medida que a poupança desce, o consumo privado está em máximos. Em 2018, atingiu os 129,1 mil milhões de euros, máximo histórico desde 2008 em que atingiu os 128,4 mil milhões de euros.

 

Uma parte importante deste consumo é baseado em crédito: crédito hipotecário, crédito automóvel, cartões de crédito, entre outros instrumentos.

 

A poupança é uma variável importante para o futuro crescimento económico. O excessivo endividamento é um problema a prazo, especialmente, quando as taxas de juro começarem a subir na Europa ou quando o ciclo económico se degradar.

 

Por isso, a poupança deve ser entendida como um ato contínuo. Pelo menos, que seja maior quando é mais fácil poupar, ou seja, nos anos em que o PIB cresce mais e não como tem acontecido.

 

Por isso, o 31 de outubro tem que ser reavivado várias vezes ao ano pelos órgãos de comunicação social, pelos bancos e pelos agentes económicos em geral.

 

A poupança não é apenas importante para as famílias, mas também para as empresas portuguesas.

 

Com um tecido empresarial em que 99% das empresas portuguesas são micro ou pequenas e médias empresas, muitas delas com um baixo nível de capitais próprios medido pelo indicador económico de autonomia financeira, é forçoso que a poupança também seja um conceito seguido.

 

Economista

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