Carlos Bastardo
Carlos Bastardo 12 de novembro de 2019 às 18:58

Salário mínimo versus salário médio

Há muitos anos que lidero equipas de trabalho e uma das máximas que tento prosseguir, é que quanto mais contente estiver a equipa (entenda-se com melhores condições de trabalho e remuneração), maior é a produtividade e melhor é o ambiente de trabalho.

Anualmente, os jornais e as televisões ocupam demasiado tempo com esta questão do salário mínimo. E demasiado tempo, porquê?

 

Primeiro, porque a importância do salário mínimo é relativa, uma vez que são cada vez menos as empresas que o tomam como referência e ainda bem.

 

Segundo, porque em termos de importância, na minha opinião, o salário médio praticado em Portugal ultrapassa a questão do salário mínimo.

 

Terceiro, porque os salários em geral não têm um link direto ao salário mínimo. Por causa disso, o salário mínimo representa hoje cerca de 70% do salário médio nacional. Ou seja, por este andar, daqui a uns anos o salário mínimo quase que apanha o salário médio.

 

Portugal é o país da União Europeia em que o salário mínimo representa ou pesa mais no valor do salário médio.

 

Portanto, esta questão do salário mínimo não merece o destaque e as horas de antena que costuma ter.

 

A nova ministra do Trabalho revela dinamismo e disponibilidade para fazer coisas. Penso que tem visão e demonstra querer resolver problemas. Deste modo, porque não aproveitar a oportunidade, no âmbito da concertação social, para se mudarem finalmente as regras remuneratórias neste país.

 

E nem é necessário inventar a roda, mas apenas aproveitar o que de bom se faz lá fora a este respeito, especialmente na Escandinávia.

 

Porque não se substitui o salário mínimo por um salário de referência (benchmark) por setor de atividade, tipo de atividade ou função?

 

O salário mínimo é uma redundância minimalista, pois nem todos somos iguais, nem as atividades têm todas a mesma complexidade e geram o mesmo valor acrescentado. Então porquê ter apenas um salário de referência, ainda por cima mínimo?

 

Balizar por baixo através do salário mínimo é definir uma política de remunerações que fica aquém das competências técnicas e dos conhecimentos de uma boa parte dos portugueses e, especialmente, dos jovens licenciados que são o futuro deste país.

 

Se ouvimos os políticos de diversos quadrantes dizer que se deve apostar na educação e que a percentagem de pessoas com ensino superior a trabalhar no setor privado e no Estado deve aumentar (o que concordo plenamente), o outro lado da moeda é termos como referência um salário mínimo? Faz sentido? Penso que não.

 

Logicamente, o salário mínimo tem sido uma das bandeiras das centrais sindicais. Mas nestes anos todos, nunca pensaram que o salário mínimo é redundante?

 

Um dos problemas deste país é que a rotação dos governantes e dos sindicalistas é reduzida, ou seja, os mandatos sucedem-se vezes sem conta. Porque não renovar, trazer novas pessoas com novas ideias? O mundo mudou nos últimos 10, 15 e 20 anos. Mas continuamos a ver sempre os mesmos.

 

Para que os salários possam crescer é fundamental, por um lado, mudar a lei laboral no sentido de uma maior flexibilidade, nem que seja, nas questões das políticas de remuneração e, por outro lado, aumentar a produtividade.

 

Há muitos anos que lidero equipas de trabalho e uma das máximas que tento prosseguir, é que quanto mais contente estiver a equipa (entenda-se com melhores condições de trabalho e remuneração), maior é a produtividade e melhor é o ambiente de trabalho. E até hoje, esta máxima nunca falhou! 

 

Economista

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