David Bernardo
David Bernardo 05 de julho de 2018 às 20:20

A tecnologia ao serviço da humanidade... com atenção 

Computadores quânticos têm uma capacidade que pode superar os computadores de hoje de uma forma exponencial, o potencial destas máquinas é fantástico e pode resolver problemas que considerávamos impossíveis.

A tecnologia já não é um instrumento separado do dia-a-dia da sociedade, penetrou em quase todas as áreas, o que levanta vários temas e problemas muito específicos. A conferência DLD em Nova Iorque foi novamente o local de discussão sobre o que o presente e o futuro nos reservam.

 

Se há algo que tem sido positivo a propósito de todos os escândalos de privacidade (Facebook) é o acordar da sociedade para o impacto e consequências da tecnologia no dia-a-dia das pessoas. Finalmente começamos a entender o valor e o poder dos dados (o novo ouro). Achamos que os índios, quando os conquistadores chegaram com espelhos e missangas, foram tontos em trocá-los por ouro? A verdade é que levámos as últimas décadas a fazer o mesmo. A troco de sítios para colocar fotos (Instagram), ou trocar mensagens (Whatsapp), e outras coisas que "brilham", entregamos os nossos dados. Existem algumas empresas (Facebook, Amazon, Netflix, Alphabet, Apple, etc.) que estão na dianteira de recolher, tratar e utilizar estes dados. Com o poder e a dimensão que têm, estão a colocar em risco a sobrevivência de muitas indústrias, algumas das quais ainda nem sequer se deram conta. Quem não se adapta morre, é o normal, e muitas já passaram o ponto de sobrevivência. Já morreram, só não foram ainda avisadas. Às outras têm de pôr-se as pilhas. Scott Galloway fez uma excelente apresentação sobre o tema.

 

Os impactos não terminam aqui, computadores quânticos estiveram também na ordem do dia. Com uma capacidade que pode superar os computadores de hoje de uma forma exponencial, o potencial destas máquinas é fantástico e pode resolver problemas que considerávamos impossíveis. Quando os juntamos com outra das ameaças muito falada, a cibersegurança, toda esta capacidade de processamento pode inutilizar muitos dos nossos sistemas de segurança actual.

 

Mas nem tudo é assustador (aliás, sejamos positivos que a maioria não é). A arquitectura, a mobilidade e a saúde estão com grandes avanços também. É o caso do edifício The Shed no "highline" de Nova Iorque, um salão de espectáculos que se ajusta segundo o tipo de evento e clima. A saúde apresentou também algumas das soluções mais impactantes em especial com formas de identificar tumores cerebrais com luz, e tratamentos personalizados segundo o ADN da pessoa.

 

Enquanto as criptomoedas continuam a ser criticadas e elogiadas entusiasticamente, a tecnologia por trás, a blockchain, continua a ser apontada como revolucionária. No entanto, as aplicações práticas desta, continuam a ser bastante limitadas.

 

A conferência terminou com chave de ouro com a sexóloga Esther Perel a falar do futuro das relações. Os papéis do homem e da mulher estão a ser alterados e existe uma contradição entre o formato que se espera das relações e a vida que levamos. Por outro lado,  nunca estivemos tão conectados, e os problemas de solidão nunca foram tão grandes. Algo que se reflecte numa taxa de suicídios em crescimento, posta em evidencia recentemente com Anthony Bourdain, Kate Spade e Avicii.

 

A DLD Nova Iorque pôs novamente em perspectiva não só as inovações, que sempre nos entusiasmam e fazem a realidade parecer um filme de ficção científica, mas a integração destas na sociedade como um todo. Ter medo ou entusiasmo serve de pouco. Há que entender e preparar-se o melhor possível. Para o bem e para o mal.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

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