David Bernardo
David Bernardo 13 de março de 2019 às 09:30

É hora de partir o Facebook?

A Igreja Católica é a instituição com mais sucesso na história da humanidade. Em 2000 anos conseguiu mais de 1200 milhões de fiéis (clientes). O Google com 20 anos tem 2000 milhões de clientes e o Facebook 2300.

Estas empresas por debaixo do seu look "nerd" e jovem, são ídolos de uma geração, à semelhança de Wall Street nos anos 80. Com modelos de negócio que muitos consideravam ridículos, onde ofereciam produtos grátis (email, pesquisador, redes sociais), foram acumulando uma enorme quantidade de poder, de forma muito discreta. Possível porque o poder chegou de uma forma desconhecida anteriormente, através dos dados recolhidos combinados com um alcance global e acesso a capital quase ilimitado. Só agora que os sinais de alarme começam a soar por todos os lados, devido ao uso e abuso do poder que acumularam, é que a maioria da sociedade começa a despertar. Estas organizações são culpadas? Não sei, chegaram onde chegaram muito devido à falta de visão e pensamento de curto prazo do resto da sociedade. Como o meu irmão diz muitas vezes (dos filmes do Batman), "ou morres como herói ou vives tempo suficiente para passar a vilão". E é o que está a acontecer aqui.

 

Qual é o problema? Estas empresas entenderam, antes de quase todos, que os dados em conjunto com a tecnologia permitem conhecer os clientes em detalhe e com isso vender-lhes mais e mais vezes. Se a venda de produtos pode não parecer relevante e até é considerada uma boa estratégia comercial, o problema começa quando estas plataformas são usadas para temas como, manipulação de resultados eleitorais, descriminação, perseguição e atentados contra vários direitos do Homem.

 

O que há a fazer? Não é fácil, a solução não é óbvia. As principais formas são legais já que os consumidores não se organizam. Os governos começam a intervir. França acaba de impor impostos sobre as receitas das empresas de "Tech" para evitar a fuga de receitas para paraísos fiscais. Elizabeth Warren, uma das candidatas à presidência pelo partido democrata nos EUA, tem como um dos principais temas da sua candidatura dividir estas empresas em várias. Difícil, sim, principalmente considerando que as áreas que mais têm tido crescimento de investimento nestas empresas é o "lobby". A Amazon, por exemplo, diz-se que conta com mais de 80 pessoas em Washington para esta atividade. Mas não impossível se pensarmos que algo semelhante já aconteceu no passado à Microsoft.

 

O Facebook é provavelmente o primeiro "target". Já ninguém tem paciência para os "erros" que fazem, um atrás do outro, seguidos de falsas desculpas sem ações associadas. Os comentários publicados pelo Mark Zuckerberg sobre privacidade, na semana passada, foram recebidos com total incredibilidade, e a sua número dois, Sheryl Sandberg, deu uma conferência na DLD, onde estive presente, que para além de aborrecida, foi totalmente demagoga.

 

Há uma parte que deve merecer a nossa atenção, pois alguma avaliação negativa vem de outras empresas que já não conseguem competir com as empresas que refiro neste artigo. Na maioria pela sua própria culpa e falta de capacidade de inovar e adaptar-se. Estas empresas tecnológicas não têm trazido só temas negativos. O mundo é um lugar mais conectado, a produtividade aumentou e muitas das ferramentas são utilizadas diariamente para o "bem".

 

Não é claro, 15 anos depois, saber se o mundo estaria melhor ou pior sem Facebook. E também não é importante. Estas empresas não vão desaparecer. Há que entender o impacto real destas organizações de uma forma transparente e lidar com elas da melhor forma para benefício da sociedade.

 

Partner litsebusiness.com e professor de e-commerce e marketing digital na Nova SBE

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