Börje Ekholm
Börje Ekholm 29 de janeiro de 2020 às 09:50

Davos 2020: 5G, como fomentar a inovação na economia digital

Na próxima década, dois terços da mão de obra global utilizarão o 5G. Os pioneiros desfrutarão da liderança com a escala global de uma plataforma horizontal. Tal já se verifica nas indústrias transformadoras e de produção, da eletrónica e dos automóveis.

Embora tenhamos como garantido que o 5G é uma plataforma que mudará o mundo, continuamos sem saber como o fará. Aconteceu o mesmo com o 4G. A inovação somou-se à rede. Ninguém poderia prever que as aplicações de streaming, transporte e redes sociais seriam as mais utilizadas no 4G. Foram os seus pioneiros, maioritariamente nos EUA e na China, que tiraram os maiores proveitos da economia das aplicações. A mesma dinâmica aplicar-se-á no caso do 5G, mas a uma escala industrial e em massa.

 

A criação de condições para o sucesso do 5G

 

O 5G será uma base de caráter obrigatório para fazer face à concorrência a nível mundial. Tendo isto em consideração, os reguladores têm de assegurar uma rápida expansão da tecnologia. Contudo, já é possível verificar desigualdades acentuadas a emergir da implementação do 5G, e alguns países correm o risco de ficar para trás.

 

É possível sustentar o seu desenvolvimento, desde o financiamento de projetos-piloto de 5G a mecanismos de licitação do espetro. Os governos e os reguladores têm de alinhar preços com os objetivos das políticas e licenciar tanto espectro quanto possível e tão rapidamente quanto possível. Tal traduz-se no factoring do valor a longo prazo de uma rede forte em vez de taxas de licença pagas antecipadamente.

Precisamos de uma transformação no setor

 

Também têm de ocorrer mudanças estruturais no setor, caso todos os fornecedores de serviços venham a beneficiar do 5G. Na Europa são muitos aqueles que quase não conseguem obter o retorno dos custos de capital, o que dificulta muito a justificação de investimentos na nova tecnologia.

 

Existem, então, duas mudanças que podem trazer mais competitividade. 

 

A primeira é a consolidação. Especialmente na Europa existem demasiados fornecedores de serviços nos mesmos mercados, particularmente em comparação com países como os EUA. A fragmentação do mercado restringe o investimento.

 

A segunda são os preços. Na maioria dos mercados, a banda larga móvel custa menos por mês do que alguns cafés. Isto também não é um modelo de negócio exequível a longo prazo. Muitos países correm o risco de agravamento das desigualdades sociais e económicas e, provavelmente, um atraso significativo no 5G relativamente às grandes potências, como a Coreia do Sul, os EUA e a China. 

 

O 5G mudará o mundo

 

Com países de todo o mundo já em fase de implementação de serviços de 5G e da Indústria 4.0, este é um momento importante para o alinhamento. Não podemos deixar passar esta oportunidade e abrandar as vantagens sociais e económicas mundiais. 

 

Desde logo, com a quebra da curva de energia. O 5G é o modelo mais eficiente energeticamente já desenvolvido. Além disso, as soluções de TIC poderão permitir reduções de 15% noutros setores industriais até 2030. Isto representa mais do que as emissões da UE e dos EUA combinadas. As tecnologias emergentes, possibilitadas pelo 5G, serão fundamentais para as indústrias, as cidades e os países reduzirem exponencialmente as respetivas pegadas ecológicas, rumo a um cenário futuro de 1,5 °C.

 

O segredo para o desenvolvimento económico é a banda larga móvel. Numa investigação em colaboração com o Imperial College London, comprova-se, pela primeira vez, que a implementação de redes de banda larga móvel estimula a economia. Em média, um aumento de 10% na taxa de adoção de banda larga móvel dá origem a um aumento de 0,8% do PIB. Estamos cientes de que a banda larga móvel fornecerá cobertura de rede a cerca de 92% da população mundial até 2024.

 

Criar postos de trabalho e gerar lucros com o 5G. Na próxima década, dois terços da mão de obra global utilizarão o 5G. Os pioneiros desfrutarão da liderança com a escala global de uma plataforma horizontal. Tal já se verifica nas indústrias transformadoras e de produção, da eletrónica e dos automóveis. Estimamos que a digitalização da indústria, até 2030, tem potencial de mercado de cerca de 634 mil milhões de euros para os fornecedores de serviços. E isto não representa mais que 47% do valor total possibilitado pelo 5G.

 

Temos todos de trabalhar em conjunto com o objetivo de alcançar um mundo mais sustentável. E é esse o nosso compromisso! 

 

Presidente e CEO da Ericsson

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