Edson Athayde
Edson Athayde 26 de março de 2019 às 19:00

"Olha! É uma banana, mas é a Lua!"

Na Índia, nada é exatamente o que parece ser. Nas ruas, monumentos, roupas, olhares, há sempre histórias escondidas, significados intraduzíveis para "aliens" como nós.

Foi o que descobri na semana passada. Estive alguns dias em Mumbai, na convenção da FCB Global, empresa de publicidade de origem americana em que trabalho. Um dos palestrantes convidados foi um famoso mitologista indiano, chamado Devdutt Pattanaik, que brilhantemente explicou o quanto as religiões e culturas locais podem ser adequadas se quisermos encontrar alguma lógica no mundo de hoje.

 

Vivemos tempos em que a História parece ter entrado em modo de repetição, mas isso não é novidade para os indianos. Eles sempre souberam que a vida é fluxo, que nada tem fim porque nada teve começo e que tudo irá se repetir uma e outra vez.

 

O indiano, explicou Devdutt, por método, não é revolucionário, nem complacente. O indiano sabe que esta não é a sua primeira nem única vida. Logo, para que serviria ficar ansioso? As coisas não se resolvem nunca no espaço de uma geração. E se parecerem resolvidas é apenas por um momento breve. Tudo volta, sempre voltará.

 

A fala do mitologista ajudou-me a enfrentar as dezenas de horas da convenção, na qual pude ver algumas das melhores novas práticas da minha profissão e conhecer em primeira mão ferramentas tecnológicas que mais cedo ou mais tarde vão chegar por aqui.

 

Talvez noutro momento de vida, a exposição a tantas coisas boas, mas complexas, me levaria a ficar à beira de um ataque de nervos. Mas não foi o que passou.

 

Como profissional português tenho a obrigação de contribuir para subir os parâmetros da nossa indústria. Mas não há como fazer tudo da noite para o dia. As coisas têm o seu tempo certo, não vale a pena agir de maneira apressada.

 

Estava a pensar nisso quando ouvi uma pequena história do CEO da FCB Global, Carter Murray. Carter disse que uma vez estava a passear à noite com o seu filho pequeno e em dado momento o miúdo apontou para o céu e gritou: "Olha! É uma banana, mas é a Lua."

 

Carter disse que nunca mais conseguiu olhar para a Lua da mesma maneira que antes. Assim é quando conhecemos o novo (no caso, novas ferramentas de trabalho quase futuristas) ou uma dimensão cultural como a indiana: o mundo continua a ser o mesmo, mas, se calhar, achamos que talvez pareça uma banana.

 

Ou como diria o meu Tio Olavo: "Conhecimento sem transformação não é sabedoria."

 

Publicitário e Storyteller

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