Edson Athayde
Edson Athayde 27 de agosto de 2019 às 19:10

Precisamos de falar sobre os 13 porquês

Baseada num livro publicado em 2007, ou seja, há mais de uma década, “13 Reasons Why” continua a bombar. A terceira temporada acaba de estrear e, embora sem o sabor a novo da primeira, a eletricidade continua lá.

"Se não sabe o que são os trezes porquês, é porque é um deles." É assim que podemos resumir, de maneira mais ou menos livre, o que foram as primeiras duas temporadas de "13 Reasons Why", série sensação da Netflix.

 

Concebida para tocar a alma dos adolescentes americanos, acabou por tornar-se objeto de culto em todo o mundo e tema de conversa entre variadas idades.

 

Baseada num livro publicado em 2007, ou seja, há mais de uma década, "13 Reasons Why" continua a bombar. A terceira temporada acaba de estrear e, embora sem o sabor a novo da primeira, a eletricidade continua lá.

 

Nas duas primeiras entregas, acompanhámos as consequências de um suicídio juvenil. Isto era algo original, a protagonista, a doce Hanna, já havia se matado quando a narrativa começou. Antes de cortar os pulsos, gravou 13 cassetes, cada uma dedicada a alguém do seu convívio. Cada um era um porquê.

 

A saga de Hannah tocou tão fundo que há boatos que os casos de suicídio juvenil nos EUA aumentaram após a exibição explícita do seu tresloucado ato. Verdade ou lenda, o certo é que a Netflix acabou por podar essas cenas recentemente.

 

Na virada da segunda para a terceira temporada, há uma mudança de rumo. O tema geral continua o mesmo, a solidão dos adolescentes modernos, gente que tem acesso a um sem-número de informações, mas que não sabe lidar com os seus sentimentos.

 

Porém, desaparecido o fantasma de Hannah, o que resta é um grupo de jovens perdidos nas redes sociais, na obrigação de serem ativistas, de respeitarem o politicamente correto, de não naufragarem num mar de drogas e sexo fáceis.

 

Nem todos conseguem. Mas "13 Reasons Why" mostra que ainda há esperança. O grande herói da história é torto e de bom coração. Clay tem tudo para dar errado, mas insiste em ser a âncora do seu grupo.

 

Clay representa a compaixão que só os jovens têm. Ele ama profundamente os seus amigos, é capaz de tudo por eles, até de fazer os maiores disparates a si mesmo. Ninguém é como Clay, mas como gostaríamos de ser... (se é que já não fomos um dia).

 

Em quase todos os episódios há uma frase que aparece em meio aos diálogos: "Mas achas melhor conversar sobre isto com um adulto?" A coisa soa ligeiramente artificial. Os adultos da série são ainda mais perdidos e impotentes do que os seus filhos. Eles não sabem de nada, não percebem nada ou não querem perceber.

 

Se eu tivesse um filho adolescente assistiria "13 Reasons Why" junto com ele. Seria uma experiência difícil, mas construtiva. Se é o seu caso, fica a dica.

 

Ou como diria o meu Tio Olavo, a citar Vinicius de Moraes numa carta a um jovem poeta: "É preciso que todos vejam a luz que seu coração transverbera, mesmo coberto por bons panos. Não negue o seu olhar de poeta aos homens que precisam dele, mesmo tendo o pudor de confessá-lo. Abra a sua camisa e saia para o grande encontro."

 

Publicitário e Storyteller

 

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