Eduardo Cintra Torres
Eduardo Cintra Torres 14 de janeiro de 2015 às 20:50

[593.] Sacoor - Cristiano Ronaldo

A publicidade protagonizada por Cristiano Ronaldo está em todo o mundo. Além das marcas globais — galácticas, como ele —, há anúncios nacionais ou regionais em diversas partes do globo.

 

Onde há mercado a funcionar, há Ronaldo publicitando isto ou aquilo nos supermercados, nos billboards, nas TV, na imprensa. O jogador e os seus empresários conseguiram capitalizar a sua imagem futebolística de forma impressionante.

 

O mérito, claro está, é do jogador: só conseguindo ser o melhor do mundo nos estádios ele poderia ter esta carreira exterior ao futebol. Extremamente focado no seu trabalho, ele é um exemplo extraordinário — e bem pouco português — de profissionalismo, de alguém que joga no presente e no futuro, em todos os tabuleiros disponíveis para um homem global: além de jogar a oposto de ser o melhor do mundo, ele comporta-se mediaticamente como um profissional no estádio, nas relações com os media, na caridade, na rua, em férias, na vida privada, até na vida íntima publicitada.  

 

Assim, com um profissionalismo exemplar a 99,5% (também ele e os seus empresários têm falhas), Ronaldo é uma figura mundial ímpar, um embaixador de Portugal como nunca tivemos outro: bastou ouvi-lo na Bola de Ouro, falando em português, no seu Portugal, nos portugueses e para os portugueses.

           

Uma personalidade desta dimensão, e com a popularidade no topo, não precisa de grandes apresentações ou artifícios publicitários. Foi isso que me atraiu no anúncio de Sacoor Brothers com Ronaldo. Já o tínhamos visto em voos com uma bola, a sorrir, a conduzir, a mexer no cabelo, deitado num colchão, sentado em casa, etc., etc. E para quê? Os publicitários de Sacoor Brothers, certamente sem o orçamento global das grandes marcas, usaram o melhor que podiam usar: Cristiano Ronaldo, só ele, nem mais.

           

Nada de sorrisos. Nada de artifícios. Nada de narrativas. Nada de bola. É apenas ele. Como?

Num anúncio raro pelo seu dispositivo visual: o de uma fotografia tipo passe. Tipo passaporte. Fundo branco. Ronaldo frontal para a câmara, mas com o olhar ligeiramente ao lado. Fato. Gravata. Lenço. Dimensão do plano, entre médio e grande plano, quase como nos documentos oficiais. Porque não nos olha Ronaldo? Para ficar ainda mais tipo passe. Para não dominar a cem por cento a imagem e deixar um pouco da nossa atenção para a roupa. Para que o Ronaldo galáctico seja, aqui, ao mesmo tempo Ronaldo e modelo da marca e da roupa. Assinatura da marca.

           

Um contrato destes, para uma marca não galáctica como Sacoor Brothers, implica a criação do máximo impacto com o mínimo de meios. Daí que a foto tipo passe à dimensão das páginas nos media e dos mupis permitisse chamar a atenção imediata do observador para o rosto de uma das pessoas mais conhecidas no mundo. A ordem dos factores não é arbitrária: no topo do anúncio, o nome de Cristiano Ronaldo aparece num corpo de letra três vez maior do que o da marca. O "actor" é maior do que o "filme". Em baixo, sim, o logótipo da marca, com o nome e o cão, aparece em dimensão maior, e sobre o jogador, como que dizendo ele é nosso, é o nosso bilhete de identidade. Tudo no anúncio de imprensa — a fotografia de Ronaldo e as mensagens verbais — aparecem simetricamente, em jeito de símbolo de perfeição.

           

Não interessa para esta coluna quanto Ronaldo recebeu por esta campanha, que se prolonga por marketing, como se viu nos ecrãs de TV no final da Bola de Ouro, por trás dele enquanto falava para as TV. Interessa apenas que o que Sacoor Brothers recebeu é muito mais: uma foto tipo passe do mais galáctico e melhor do mundo.  

 

eduardocintratorres@gmail.com 

 

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