Eduardo Cintra Torres
Eduardo Cintra Torres 23 de maio de 2018 às 19:47

[755.] BPI, Novo Banco, Millennium, Santander

Os anúncios das empresas financeiras - bancos, seguradoras, etc. - andam muito certinhos. Não fosse os de Cetelem ou Cofidis e não haveria o sonhar acordado em regime de meia ficção que a publicidade nos oferece há um século.

A banca vestiu de novo fato e gravata de marca branca e enche papel com anúncios aborrecidos.

 

Percebe-se a intenção: depois da rebaldaria da década passada, as instituições financeiras querem parecer sérias. Os reclames vão atrás. O BPI anuncia 400 milhões de euros para reabilitação urbana. São bem precisos, o momento é óptimo, quer no imobiliário, quer nas condições bancárias -, mas o anúncio não diz nada disso, não sugere, não dá gosto à informação com uns grãos de sal. Metade da página é uma foto da beira-Douro no Porto. Mal se percebe. E está meia desfocada. A outra metade é uma foto da beira-Tejo em Lisboa. Botaram-lhe uma corzinha para se perceber pelas cores que Porto e Lisboa são metades diferentes. Uma maçada visual.

 

O Novo Banco tem um departamento dedicado à arte e à cultura, herança do BES. Faz muito bem. Pode ser que um dia tenhamos em Portugal exposições fantásticas em programas consistentes e ininterruptos como as das fundações de instituições bancárias espanholas que sempre visito se vou a Madrid ou Barcelona. O anúncio de página inteira do NB Cultura dizendo que "arte & cultura partilham-se" bem poderia ser mais artístico e culto. É institucional, só para reiterar o empenho do Novo Banco em "preservar, promover e partilhar com a sociedade" o seu património cultural e artístico. Refere as colecções de fotografia contemporânea, pintura, numismática e a biblioteca de estudos humanísticos. Convida o observador a visitar nbcultura.pt. Fui lá. Valeu a pena. Lamentei que o anúncio não tivesse a mesma qualidade do site. Os publicitários basearam-se na aspa ou mosca ou traça ou morcego ou o que quer que seja que adorna o logótipo do banco. Num fundo monocromático colocaram quatro aspas, cada um referenciando uma das colecções do banco. As aspas estão deformadas, para poderem mostrar alguma coisa significativa e perceptível (conjunto de fotografias, parte de um quadro, etc.). Resultado? Nem se percebe que são as aspas do logótipo nem se vê bem as obras que se pretende mostrar.

 

O Millennium BCP vai a caminho de abandonar o BCP no nome. A sigla antiga já passou para a segunda linha. E o banco vai de comboio. "Não perca este comboio. Entre a bordo do Millennium 2020." Lê-se e pensa-se: este comboio é metáfora, porque não vamos entrar dentro de um comboio físico. Pensa-se isso e pensa-se mal. O anúncio mostra mesmo um comboio, enfeitado de Millennium na duas faces visíveis duma carruagem. A ideia invisível é o banco fugir da sua antiga sigla, fugir do seu passado e avançar em alta velocidade para 2020, Portugal 2020. De comboio.

 

Vá lá, o banco Santander deitou um pó de estrelas de sonho numa campanha sobre a linha de apoio à qualificação de oferta turística. "Muito mais que 5 estrelas", dizem as letras muito grandes no anúncio de página inteira na imprensa. E, sim, mostra muito mais do que cinco estrelas numa bela fotografia nocturna do castelo de Palmela e sua pousada. Para dizer a verdade, a foto é tão bonita que não se percebe o erro de a terem cortado na parte do céu (cortaram muito mais do que cinco estrelas!) para escrever uma frase que tinha espaço noutra zona do anúncio. Realmente não se percebe: os publicitários estragaram a sua boa ideia - o slogan e a bela foto - com a má ideia de a cortar na zona a que precisamente o título se refere - as muitas estrelas. Felizmente, noutros anúncios da campanha, apesar da titulagem sobreposta, deixaram mais estrelas à vista.

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