Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de dezembro de 2016 às 20:05

O calcanhar de Passos

As sondagens são, muitas vezes, tão eficazes como Brutus quando se trata de terminar com uma carreira política. A da Aximage, que foi publicada na semana passada, é assustadora para Passos Coelho.

Segundo ela, 60,3% dos portugueses acham que Rui Rio seria melhor líder para o PSD. Dentro do eleitorado social-democrata a opinião não é tão demolidora: a vantagem de Rio é de apenas 3%. A sondagem abre um debate interessante: o que é melhor para o país é pior para o PSD ou o que é ainda assim pior para o PSD é atraso de vida para o país? Até aqui os dirigentes do partido laranja têm estado mais interessados em guardar munições para o futuro do que abater de vez o tenor de serviço. Mas Passos Coelho, começa a perceber-se, não é o Pavarotti necessário para o regresso ao poder. Serve para entreter os militantes com o seu discurso sobre a catástrofe económica e a CGD, mas o limão já não dá mais sumo. Começa a amargar. Sun Tzu escreveu que: "A melhor política guerreira é conquistar um Estado intacto; uma política inferior é arruiná-lo." O PSD quer conquistar o Estado. Não deseja ocupar uma ruína.

 

As facas e os garfos já estão sobre a mesa e Passos Coelho é o fiambre para a refeição. Compreende-se: o PSD esgota-se nas suas frases e nas de Maria Luís. Ninguém no país se comove com elas. Pior: estamos em Dezembro e a estratégia autárquica do PSD parece um conto de fadas. Lisboa, então, começa a assemelhar-se a um desastre eleitoral anunciado: com a recusa de Santana Lopes, Passos está perdido. Nem há táctica, nem estratégia. Só um imenso vazio de ideias. Compreende-se o pânico entre os principais dirigentes do PSD e porque é que Luís Montenegro, Marco António Costa, Miguel Relvas, Paulo Rangel e, claro, Rui Rio, começam a contar regimentos. Marcelo, em Belém, sorri. O momento do repasto aproxima-se. A guarda pretoriana avança. E Passos Coelho parece que ainda não percebeu que o próximo líder do PSD é capaz de não chegar num Citroën. Mas sim numa bicicleta. Para dar menos nas vistas.

 

Grande repórter

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