Fernando  Sobral
Fernando Sobral 06 de agosto de 2018 às 22:08

O que acontecerá à aliança Turquia-EUA? 

Para Trump, a Turquia não é hoje uma prioridade e a União Europeia está cada vez mais longe. Por isso, a Turquia está a defrontar-se com um dilema político. 

O Presidente turco não tem dúvidas: o seu país está a defrontar uma "guerra económica". Depois das sanções anunciadas pelos EUA contra a Turquia (ambos membros da NATO, não o esqueçamos), a moeda turca, a lira, caiu para níveis históricos contra o dólar. No fim-de-semana, Erdogan disse ainda aos turcos: "Não tenham medo, sairemos vitoriosos." Ao mesmo tempo apresentou um plano económico para os próximos 100 dias que inclui um empréstimo da China e uma emissão de obrigações feitas em yuan chineses. Esta queda da lira aconteceu apesar de um encontro entre o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o MNE turco, Mevlut Cavusoglu. Tudo começou com a detenção de um padre americano, Andrew Brunson, pelos turcos. Preso em 2016, acusado de conspiração para derrubar Erdogan, aumentou a fricção entre Ancara e Washington.

 

Há muito que os desencontros entre velhos aliados da Guerra Fria eram visíveis, a começar pelo apoio dos norte-americanos aos curdos, a relação estranha com Fetullah Gulen (indicado como cabecilha da tentativa de golpe contra Erdogan e que vive nos EUA) e mesmo a posição de Ancara na defesa do Qatar, perante as ameaças da Arábia Saudita como apoio americano. Para além disso a Turquia tem-se aproximado da Rússia e da China. Não é a primeira vez que os EUA impõem um embargo de armas à Turquia: isso aconteceu depois da entrada das tropas turcas no Norte de Chipre em 1975. Hoje a opinião pública turca é menos "pró-americana" do que no passado. Os próprios partidos da oposição manifestaram-se contra as sanções americanas, o que mostra uma posição de conjunto da sociedade política turca. Nos bastidores há opções diplomáticas e não pode ser posta em causa a possibilidade de um restabelecimento de melhores relações entre americanos e turcos. Mas tudo isso tem de ser entendido também no contexto estratégico da região: para lá da questão curda e do conflito sírio, há um claro esfriamento das relações da Turquia com Israel. Como pano de fundo há outra questão relevante: a Turquia deve manter-se no Ocidente (no seguimento do legado de Ataturk), ou deve aproximar-se cada vez mais da Rússia e da China? A Turquia está no meio e a sua posição estratégica é muito importante. Sem a sua posição clara ao lado do Qatar, com o envio de tropas, este poderia ter sido invadido pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos. Para Trump, a Turquia não é hoje uma prioridade e a União Europeia está cada vez mais longe (apesar dos acordos sobre os migrantes). Por isso, a Turquia está a defrontar-se com um dilema político. Que pode marcar o seu futuro.

 

Irão: dúvidas sobre oferta de diálogo de Trump 

 

Hoje ninguém tem certezas sobre as opiniões e as declarações de Donald Trump. A sua política externa, feita à base dos interesses comerciais dos EUA, tornou relativas quaisquer opções estratégicas da superpotência. Assim não admira que o Irão tenha recebido com dúvidas a oferta de diálogo sem condições prévias feita por Trump, ao mesmo tempo que começaram a vigorar sanções económicas mais forte contra Teerão (a que tiveram de se submeter muitas empresas europeias, para não perder o mercado norte-americano). Se poderia ser uma oportunidade para Teerão tentar acalmar o Presidente americano, dando-lhe uma vitória simbólica, é difícil fazer uma concessão temível: fazer parecer que as intenções americanas são boas. Sabe-se que Trump já fez vários pedidos para se encontrar com o Presidente iraniano Hassan Rouhani. Mas face às posições ziguezagueantes de Trump, Teerão tem muitas dúvidas sobre se este tipo de diplomacia serve os seus interesses. Porque, ao mesmo tempo, poderia dar-se a entender que o Irão está numa posição de fraqueza. Rouhani chegou a recusar encontrar-se com Barack Obama, mesmo depois de assinado o acordo sobre o nuclear. Assim, um encontro com Trump, depois dos inúmeros insultos proferidos por ele contra o Irão e a recusa de os EUA assumirem os seus compromissos derivados do acordo, poderia parecer contraproducente.

 

Por outro lado, o Irão acredita que Trump não é um negociador tão forte como foi Obama. Trump surge mais preocupado com a aparência do que com a realidade. Nesse aspecto, os russos, e Vladmir Putin, mostraram um pouco do que é Trump no plano das negociações internacionais. Muitos países estão já a seguir essa táctica negocial: deixaram fazer crer que Trump obteve uma grande vitória, quando na realidade assim o não foi. Só que esta táctica não tem muito que ver com o Irão, que não desejaria mostrar que os EUA são "bons". Querem uma negociação em pé de igualdade e com respeito. O que, com Trump, é sempre difícil. Os iranianos nunca esqueceram o papel dos EUA no golpe contra o primeiro-ministro Mossadegh em 1953, nem o seu papel ao lado do Iraque de Saddam Hussein durante a guerra Irão/Iraque. Mostrar uma posição de subordinação poderia também causar problemas políticos internos, numa sociedade instável, como se tem visto nos últimos dias.

 

Macau: BNU contribui para CGD

 

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) Macau foi o maior contribuinte da área de negócio internacional para o resultado líquido consolidado da Caixa Geral de Depósitos no primeiro semestre com 30,5 milhões de euros, segundo o relatório da instituição. O documento informa ainda que depois de o BNU Macau surgem o Banco Comercial e de Investimentos, em Moçambique, com 10,1 milhões de euros e a sucursal de França com 9,8 milhões de euros. O relatório acrescenta que a evolução cambial verificada nas moedas de Angola e de Macau face ao euro contribuiu de forma decisiva para a redução da margem no semestre (face ao 1.º semestre de 2017), contrariando a evolução registada em moeda local.

 

China/Brasil: mais infra-estruturas

 

O governo da China está interessado em investir em linhas de caminhos-de-ferro e transportes urbanos no Brasil, caso do VLT ou metro ligeiro de superfície e o próprio metropolitano, disse o embaixador Li Jinzhang, que destacou os bons resultados obtidos com investimentos em infra-estruturas portuárias. O embaixador da China no Brasil disse ainda à Agência Brasil que uma empresa chinesa, que não identificou, apresentou já ao governo do Distrito Federal, onde se localiza a capital do país, Brasília, uma proposta para a construção de um metro ligeiro de superfície. Li Jinzhang recordou que os governos do seu país e do Brasil já definiram as áreas prioritárias para a realização de investimentos - energia, telecomunicações, infra-estruturas, agricultura e ciência e tecnologia.

 

Macau: receita do jogo cresce

 

A receita bruta dos casinos de Macau situou-se em Julho em 25.327 milhões de patacas (3.165 milhões de dólares), número que representa um crescimento de 10,3% comparativamente ao verificado um ano antes, informou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. A taxa de variação homóloga registada em Julho foi a segunda mais baixa de 2018, sendo superada apenas pela de Fevereiro, mês em que o crescimento da receita bruta se limitou a 5,7%. A receita bruta acumulada de Janeiro a Julho atingiu 175.544 milhões de dólares (21.943 milhões de dólares), com uma variação positiva em termos homólogos de 17,5%, neste caso a mais baixa do ano.

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