Jorge Marrão
Jorge Marrão 08 de maio de 2017 às 20:28

Os maus empresários

A produtividade de um país, indústria ou setor é resultante de um conjunto de fatores de sistema, e não é uma responsabilidade meramente individual.

A FRASE...

 

"Mas não tenho dúvidas em afirmar que os gestores portugueses, privados e públicos, não são os únicos, mas são certamente dos maiores responsáveis pela baixa produtividade."

 

Pedro Marques Lopes, DN, 7 de Maio de 2017

 

A ANÁLISE...

 

A responsabilização da qualificação dos empresários/gestores para justificar a baixa produtividade de uma economia é mais uma das pós-verdades formada na ideologia prevalecente de inspiração marxista da oposição entre capital e trabalho. Quando a classe política incompetente não consegue criar um modelo de incentivos à produtividade do sistema económico, atira as responsabilidades para cima dos empresários e/ou trabalhadores.

 

As afirmações de iliteracia dos empresários para explicar que são estes que geram as baixas produtividades não se encontra em nenhum tratado de macroeconomia e ou microeconomia; afinal a escola onde os querem sentar não tem investigação que o comprove! Não me recordo de nenhum estudo comparativo entre países e/ou entre setores de indústria que prove a relação de casualidade entre uma coisa e outra. Os debates insanos e repetidos das concertações sociais levaram-nos para este terreno minado das políticas públicas dirigidas a fantasmas, em que a ciência económica pouco tem a dizer, mas que, à força da repetição, quer criar uma verdade universal para nos explicar parte da desgraça que se abateu sobre nós. Os empresários não se fazem na escola: fazem-se à custa da concorrência, quando esta existe. Na sua falta, fazem-se com a captura de benesses públicas e/ou à revelia das regras normais de mercado.

 

Quando tivemos crescimentos acima dos 3% nos tempos áureos do Prof. Cavaco Silva, os empresários eram formados? Essa formação esfumou-se depois da sua saída, agora que não crescemos nas duas últimas décadas?

 

Como bem dizia um célebre economista, os públicos generalistas ainda se espantam como é que um motorista de autocarro na Nigéria, que trabalha as 8 horas de um da Noruega, tenha um rendimento 10 vezes inferior. A produtividade de um país, indústria ou setor é resultante de um conjunto de fatores de sistema, e não é uma responsabilidade meramente individual.

 

Se deixássemos falir as empresas improdutivas ou de baixa produtividade de um setor, teríamos um crescimento anormal da produtividade do setor. Se introduzíssemos modelos concorrenciais sérios em diversos setores, talvez nos espantássemos com a capacidade empresarial dos empresários portugueses, assim como nos espantamos com as capacidades dos trabalhadores, quando desafiados num ambiente concorrencial.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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