Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 01 de junho de 2014 às 19:18

Os desafios do "Corporate Governance" em Angola

Angola tem a ambição legítima de vir a representar um papel relevante em termos económicos e financeiros na África Austral.

 

Apresentei, no passado dia 20 de Maio, em Luanda, integrada nas comemorações dos 15 anos da Multitel, uma conferência sobre "Os Desafios do Corporate Governance em Angola", onde estiveram presentes administradores dos grupos empresariais angolanos mais relevantes.

 

Este tema está presente, dum modo muito significativo, na actualidade empresarial angolana, tendo, inclusivamente, o Banco Nacional de Angola emitido, recentemente, um conjunto de recomendações obrigatórias para as instituições financeiras no âmbito da governação destas entidades.

 

A crescente globalização da economia angolana, com o consequente aumento da concorrência, recomenda a adopção de modelos de organização empresarial que potenciem um aumento de eficiência competitiva das empresas angolanas.

 

Por outro lado, a próxima abertura do mercado de capitais em Angola, o reforço da credibilidade externa da economia e das organizações empresariais angolanas e as necessidades de financiamento externo associado aos grandes projectos industriais e de infraestruturas impõem a adopção, pelas empresas angolanas, das melhores práticas de governo das sociedades.

 

Torna-se, assim, necessário, construir um quadro legal adequado, sensibilizar a sociedade civil e os grupos empresariais angolanos e implementar processos de "Corporate Governance" adequados às ambições de desenvolvimento económico e social de Angola.

 

Face à estrutura empresarial actual do país, existem desafios específicos a ter em conta, neste domínio, nomeadamente:

 

• Evolução dos Grupos Empresariais de origem e natureza Familiar para Grupos profissionalizados, com alterações significativas das suas estruturas de gestão e das relações entre a família e a empresa.

 

• A separação das áreas financeiras e não financeiras dos grandes grupos empresariais integrados, cumprindo as recomendações do Banco Nacional de Angola e garantindo a transparência das transacções inter-grupo.

 

• A integração e criação de valor pelos Administradores não -executivos nas organizações empresariais.

 

• A generalização das comissões de auditoria independentes, garantindo, a credibilidade das contas e a sua análise técnica por parte da comunicação social especializada.

 

• A consolidação da reputação, nacional e internacional, das instituições públicas e privadas, através da adopção das melhores práticas de "Corporate Governance".

 

Angola tem a ambição legítima de vir a representar um papel relevante em termos económicos e financeiros na África Austral, para além da influência militar e política que já detém naquela região.

 

Só conseguirá atingir esse objectivo com uma estrutura empresarial forte e organizada, incluindo grandes grupos empresariais, nacionais e estrangeiros, apoiados num mercado de capitais diversificado, prestigiado, actuante e de dimensão adequada.

 

A adopção das melhores práticas de "Corporate Governance" nas organizações empresariais angolanas constitui uma condição necessária para que esta ambição se possa concretizar.

 

Professor Associado Convidado da ISCTE Business School

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