Manuel  Falcão
Manuel Falcão 17 de abril de 2014 às 10:21

A esquina do Rio

Em 1994, Mira Amaral, então ministro da Indústria de um Governo de Cavaco Silva, convidou Michael Porter, um Professor de Harvard, a fazer um estudo sobre a economia portuguesa.

 

Back to basics
Não se pode dar um aperto de mão com o punho fechado. Indira Gandhi

 


Conservadores

Em 1994, Mira Amaral, então ministro da Indústria de um Governo de Cavaco Silva, convidou Michael Porter, um Professor de Harvard, a fazer um estudo sobre a economia portuguesa. O relatório Porter, como ficou conhecido, foi feito já há 20 anos e defendia a aposta imediata nos sectores tradicionais, identificando "clusters" estratégicos: calçado, têxteis, cortiça, indústria automóvel, turismo, madeira e vinho, que deviam conviver com melhorias na educação, na capacidade de investigação científica, no desenvolvimento da tecnologia aplicada à realidade económica, na capacidade de gestão, em financiamentos mais acessíveis e numa melhor gestão florestal.


Ao fim de 20 anos, percebemos que se perdeu muito tempo a evitar seguir as recomendações que hoje se verificam, no essencial, acertadas. Pouco tempo depois do estudo ser divulgado, em 1995, Guterres era eleito primeiro-ministro e guardou as recomendações na gaveta, deslumbrando-se com modas passageiras - modas que ainda hoje pesam no nosso dia-a-dia. Foram precisos vários anos e crises duras nestes sectores tradicionais para que eles começassem a recuperar - incorporando tecnologia, design, melhor gestão e melhor promoção.
Fica aqui este número para mostrar o que há 20 anos alguns não quiseram ver: em 2013, a indústria portuguesa de calçado exportou mais de 75 milhões de pares de sapatos, no valor de 1700 milhões de euros, para 132 países. No fundo, conservadores foram os que fugiram a desenvolver aquilo que sabíamos fazer e que foram imitar o que outros já tinham. Deu mau resultado, como agora se sabe.

 

 


Dixit

"Toda a gente crê que a democracia garante o bom governo, quando na verdade apenas garante que podemos mudar de Governo".
Felipe Gonzalez, na conferência promovida pelo "Expresso", na Gulbenkian.

 

 

Semanada

• Foi anunciado que o Hospital de Santa Cruz, uma unidade especializada em cardiologia e que, por isso mesmo, se notabilizou, pode perder a valência de cirurgia cardiotoráxica  o centro hospitalar de Lisboa norte deixou prescrever 4,6 milhões de euros em taxas moderadoras  439 escolas com menos de 21 alunos estão em risco de fechar e seis mil crianças poderão ter de mudar de local de ensino no próximo ano lectivo  depois das mudanças introduzidas pelo Ministério da Educação, a disciplina de Inglês deixou de chegar a todos os alunos do 1º ciclo  uma estimativa de uma associação do sector considera que em Portugal existem cerca de três mil lares de idosos ilegais  segundo dados do INE, existem 1,9 milhões de pessoas em risco de pobreza e 120 mil crianças têm alimentação deficiente  a maioria dos elementos do gangue do multibanco recebia rendimento social de inserção  a justiça arquivou 45% dos casos de corrupção  39,7% dos processos relativos a corrupção dizem respeito a autarquias  em Portugal, foram apresentadas 16 listas concorrentes às eleições europeias, meia dúzia delas de novas organizações ou de organizações sem actividade política regular • cada lista concorrente pode gastar até 2,9 milhões de euros na campanha eleitoral  António Barreto deixou a Fundação Francisco Manuel dos Santos em divergência com o dono do Pingo Doce e da Fundação, Alexandre Soares dos Santos.

 

 


Arco da velha

As obras de remodelação da estação de Metro do Areeiro, em Lisboa, estão a decorrer desde 2009 e, ao fim de cinco anos de transtornos constantes para quem vive no local, foram suspensas devido a um litígio judicial com o empreiteiro.

 


Provar

Aqui há uns anos, a Rua Barata Salgueiro era a rua da Sociedade Nacional de Belas Artes e da Cinemateca. Agora é conhecida pelos três restaurantes que nos últimos anos ali abriram - o Guilty que, entretanto perdeu a graça, o D'Oliva, que continua engraçado, e o Sushi Café, que mantém uma qualidade constante e que, do ponto de vista do conforto e decoração, é o melhor de todos. As origens do D'Oliva estão no Porto, em Matosinhos, onde os seus proprietários, sob o mesmo nome, fizeram fama e ganharam experiência antes de virem para Lisboa, há quatro anos. Ao almoço, há um menu executivo a 18 euros e, à noite, o serviço é apenas à carta. Teoricamente, este é um restaurante italiano, mas a lista tem muitas e boas aventuras portuguesas. Com o correr dos tempos, o D'Oliva tornou-se num daqueles sítios que grupos de amigos escolhem para se encontrarem, o que leva a que, por vezes, à noite não seja o sítio mais sossegado do mundo. A sala de cima tem um confortável balcão, há vinho a copo de várias boas proveniências e a cerveja é bem tirada. Também há cocktails e as numerosas entradas da lista são bons petiscos. Na lista, a alhada com raia é muito decente e o bife de lombo alentejano é decentíssimo, assim como os mini-hambúrgueres. O serviço é simpático, há zona de fumadores e não fumadores - a de não fumadores acaba inevitavelmente por ser mais sossegada. Feitas as contas, continua a valer a pena lá ir. Rua Barata Salgueiro 37, telefone 21 352 8292.

 


Gosto

Os prémios Pulitzer foram atribuídos aos jornais "The Washington Post" e "The Guardian" pelo conjunto de notícias sobre os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

 

Não gosto

Das confusões e constantes alterações daquilo que o Governo diz sobre as pensões e reformas.

 

 


Folhear

"1914 - Portugal no ano da Grande Guerra" é uma viagem do jornalista Ricardo Marques ao dia a dia de há um século atrás. Ele leva-nos aos usos e costumes do ano em que começou a I Grande Guerra e diz-nos como viviam as pessoas, fala do que se relatava nos jornais, abundantemente citados. Por ali se encontram notícias da Lisboa do tempo da febre tifóide, e também se fica a saber que já então a Universidade de Coimbra pensava acabar com as praxes ou que havia um movimento contra as touradas. Ricardo Marques, que nasceu em 1974, percorreu arquivos em busca do passado para nos fazer uma reportagem do tempo que não vive nas nossas memórias. Ao longo de 300 páginas, com ilustrações da época, recorda-nos como era então encarada a ciência e vista a natureza, como se passava a vida pública e a vida privada - das lutas operárias às festas e às modas, passando pelo mundo visto a partir de Portugal e, inevitavelmente, pela Guerra que então começava. (Edição Oficina do Livro).

 

 


Ver

"O Burel da cortina antepara o céu opaco" é o título da exposição de obras de Pedro Calapez que podem ser vistas na galeria Appleton Square até 10 de Maio. Nas obras expostas, quase uma instalação, o desenho a computador mistura-se com a pintura a pincel japonês sobre papel e o preto, branco e cinzentos contrastam com explosões de cor. Nos dois momentos da exposição, no piso de entrada e na sala do piso inferior, evidencia-se a variedade e o contraste do trabalho contemporâneo de Calapez, que continua com uma agenda de exposições com um ritmo invulgar, em Portugal e no estrangeiro. A Appleton Square fica em Alvalade, na Rua Acácio Paiva 27.

 

 

Ouvir

"Yellow Brick Road", o álbum de 1973 de Elton John, oitavo disco da sua carreira, foi o seu primeiro grande sucesso discográfico - e o álbum figura aliás em diversas listas dos melhores discos pop de sempre. Talvez se possa dizer, mesmo à distância de quatro décadas, que este foi o ponto mais alto da colaboração com Bernie Taupin, o co-autor de todas estas canções e que muitas vezes é injustamente esquecido. Aqui estão temas como "Candle In The Wind" e a faixa título "Goodbye Yellow Brick Road", além de outras como "Saturday Night's Allrright For Fighting", "Roy Rogers", "Your Sister Can't Twist (But She Sure Can Rock 'n' Roll", o provocador "All The Girls Love Alice" e "Bernie The Jets" - esta tornou-se um êxito nas estações de rádio de soul music dos Estados Unidos. Elton tinha 26 anos quando o disco foi gravado e o êxito de algumas das canções fez esquecer como o álbum, no seu conjunto, é uma obra consistente - e como a canção-título é, afinal, sobre o facto de a fama e o sucesso serem uma coisa tão difícil de gerir e de viver - como a sua carreira, ao longo das últimas décadas, sobejamente tem provado. Por ocasião do 40º aniversário do lançamento original do álbum, foi agora lançada uma edição especial, com uma nova remasterização digital e um CD extra que inclui diversas versões de canções pouco conhecidas de Elton John por alguns nomes contemporâneos. Há várias boas versões, mas eu destaco a de John Grant em "Sweet Painted Lady", embora as prestações de Imelda May e Emeli Sandé também mereçam destaque. Finalmente, este disco extra ainda inclui alguns clássicos da carreira de Elton John, gravados ao vivo no Hammersmith Odeon, em Londres, em Dezembro de 1973.

 

 

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