Paulo Carmona
Paulo Carmona 14 de outubro de 2019 às 19:40

Um Governo basculante

É como a senhora com dois namorados. É melhor terem-me poucochinho de cada vez do que nunca me terem. É disto que o nosso PM gosta, tem prazer e jeito.
Governar com maioria absoluta é para meninos, e António Costa é um político que gosta de desafios com a habilidade e matreirice suficiente para encontrar acordos nos quais muitos falhariam. A geringonça é um hino à sua habilidade. A forma como enrolou os parceiros, e que fez Fernando Rosas desabafar na TVI, "Dá ideia que o PS fez a geringonça há quatro anos como recurso de sobrevivência", descartando o Bloco como parceiro de governação para os próximos quatro anos, sugando votos aos seus aliados, especialmente aos comunistas. O PC teve o seu beijo da morte, que Cunhal tanto temia, uma reedição do acordo que Georges Marchais com Mitterrand e que ditou o fim do PCF como partido relevante, "comido" pelo PS francês. Para um votante comunista é difícil compreender o que se passou nestes quatro anos.

Um PC a apoiar um Governo, que além de não construir o paraíso na Terra, não enfrentou a Europa, piorou os transportes e os serviços públicos de saúde e a reposição salarial foi pífia, centrada no fim da sobretaxa para os rendimentos mais altos, dificilmente o eleitorado comunista. Uma tontice o PC ter apoiado a geringonça, pagou bem por isso, e não repetirá a graça.

Um primeiro-ministro como António Costa não necessita de maiorias nem de maioria estável. O seu governo, para os próximos quatro anos, terá a estabilidade dum Alfa Pendular. Tem os partidos à sua volta reféns dos seus eleitorados. À esquerda dirá, então não votam a favor duma qualquer estatização, subida de impostos ou castigo dos ricos? Querem que me alie à direita nestas questões? Vejam lá o que dirão os vossos eleitores. À direita a mesma coisa. E PSD e CDS já tiveram o amargo da votação sobre os professores… se não votarem com o PS numa qualquer medida responsável, apresentam-se como irresponsáveis e este pode aliar-se com a esquerda.

É como a senhora com dois namorados. É melhor terem-me poucochinho de cada vez do que nunca me terem. É disto que o nosso PM gosta, tem prazer e jeito. Orçamentos limianos, negociações, toma lá dá cá…e assim fará os quatro anos. Ninguém o tira. Sentem-se e aprendam.
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