Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 16 de julho de 2019 às 19:20

Portugal 2030?

A captação de mais alunos estrangeiros ajudará a aumentar o número de trabalhadores e residentes no nosso país (dado que vários estudantes ficam cá a viver e/ou ajudam a captar mais estrangeiros para viver no nosso país).

Nos passados dias 9 e 10 de julho, a Ordem dos Economistas organizou mais um congresso, sendo o tema deste ano "Portugal 2030 - Visões e Decisões".

Gostaria de destacar os temas que apresentei, obviamente limitado no tempo que estes eventos acabam por naturalmente impor.

Começo por algo que já tenho referido no Jornal de Negócios. Em termos gerais (dado que as características de um povo obviamente não se aplicam a todos), os portugueses tendem a confiar na sua família / nos seus próximos e tendem a desconfiar nos outros em geral. Isso implica que haja um fraco espírito de associativismo. Tendo em conta a pequena escala do país, isso ainda nos dificulta mais a obtenção de escala para concorrer internacionalmente.

As mudanças culturais são difíceis e longas. Admito que algo que poderá ajudar a essa mudança será a maior aposta na captação de alunos estrangeiros nas nossas universidades. Embora o programa Erasmus (em que um dos objetivos era fomentar a paz na Europa, através da criação de laços entre alunos de vários países europeus e maior conhecimento e vivência das realidades dos outros) e outros programas de intercâmbio já tenham contribuído muito para tal, ainda há entraves e dificuldades para atrair alunos estrangeiros. Desde a falta de residências e alojamentos aos entraves burocráticos e de obtenção de vistos, creio que a captação de mais alunos estrangeiros ajudará a aumentar o número de trabalhadores e residentes no nosso país (dado que vários estudantes ficam cá a viver e/ou ajudam a captar mais estrangeiros para viver no nosso país).

Se a isso acrescermos a flexibilidade necessária para atrair jovens profissionais liberais ou trabalhadores com contratos de trabalho mais "leves" e inovadores (por exemplo, com certas multinacionais com um regime de trabalho à distância), podemos começar a ter mais jovens em Portugal. Isto permite, por um lado, reduzir os problemas de envelhecimento da população, e por outro lado ajudar a mudar a nossa cultura de falta de associativismo, seja diretamente através dos estrangeiros mais associativistas, seja pelo cosmopolitismo que esses trazem aos jovens portugueses que com eles interagem e assim, espero, apreendam uma maior capacidade de associativismo.

Não nos podemos esquecer de que juntos valemos mais!

P.S. Queria dar os parabéns pelo evento à Ordem dos Economistas, destacando o seu bastonário Dr. Rui Leão Martinho, que tem feito um trabalho exemplar.

 

Gestor e Docente Universitário

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