Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 02 de julho de 2019 às 20:27

Portugal está atento?

O acordo comercial da União Europeia com o Mercosul recentemente anunciado, ainda sujeito a ratificação, pode ajudar a União Europeia a ganhar mais peso internacional, num mundo geopolítico em mudança, e em que os EUA se estão a tornar mais protecionistas.

Mas antes de mais, falta a ratificação do acordo. Qualquer negociação a 27 (neste caso, mais os 4 do Mercosul) é sempre muito difícil. Além disso, foi alcançada mesmo antes de termos uma nova composição no Parlamento Europeu e novos líderes europeus, o que aumenta a probabilidade de qualquer acordo "feito na 25.ª hora" poder voltar atrás.

 

Assumindo (e esperando) que se concretiza, esta é uma oportunidade de aumentar exportações, não esquecendo, contudo, que também corremos o risco de reduzir a produção nacional ao surgirem novos produtos importados que ficam mais baratos para o consumidor final, devido à redução das tarifas aduaneiras.

 

Uma análise aos impactos nas importações e exportações é urgente para se tentar ganhar uma posição inicial nas oportunidades que surgem e minimizar as ameaças que também podem concretizar-se. Fala-se muito do aumento das importações do setor agroalimentar vindas do Mercosul, mas também podem surgir outros produtos concorrentes à nossa produção nacional vindos de outros setores. Por outro lado, esses países não produzem todos os produtos agropecuários existentes no mundo, pelo que eventualmente também poderemos exportar alguns para lá. Para isso é preciso estudar as oportunidades de destinos de exportação em várias áreas e setores que podem agora surgir.

 

Portugal também pode, tendo em conta a sua ligação mais próxima com o Brasil e a América Latina (seja real ou percecionada), servir de "ponte" para outras empresas europeias fazerem negócios nesses países e vice-versa. À semelhança de uma TAP nas linhas aéreas, poderemos posicionar-nos como "hub" de negócios entre a EU e o Mercosul.

 

Em resumo, e assumindo que o acordo será ratificado, estarão os portugueses já a pensar em como podem beneficiar do mesmo? Ou vamos deixar os outros posicionarem-se antes?

 

Quero acreditar na primeira hipótese. 

Gestor e Docente Universitário

 

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