Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 14 de outubro de 2013 às 09:43

Os 11 sinais do Bull Market português

Há muitos anos que considero "Ganhar em Bolsa", de Fernando Braga de Matos, o melhor livro sobre Bolsa escrito em português. Hoje, continuo a ter a mesma opinião.

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Há muitos anos que considero "Ganhar em Bolsa", de Fernando Braga de Matos, o melhor livro sobre Bolsa escrito em português. Hoje, continuo a ter a mesma opinião. O livro permanece actual, cheio de conteúdo e com um humor que prende o leitor. E, apesar de não concordar com tudo o que lá está escrito, a grande maioria das matérias correspondem à minha visão do mercado.


Como sabem, tornei-me optimista em relação à Bolsa portuguesa desde Junho do ano passado e faltam apenas 2 condições (ruptura da resistência do PSI na casa dos 6300/6400 e quebra do suporte dos 6,4% no juros da divida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário) para que tenha todas as confirmações necessárias para não ter dúvidas quanto ao "Bull Market" que vivemos. Um dos capítulos mais interessantes do livro é aquele em que o autor identifica uma série de sinais característicos do início de um "Bull Market".


Por isso, creio que seria um exercício bem interessante nesta altura, tentar perceber se esses sinais estão ou não presentes nos últimos meses na Bolsa portuguesa. Optei por escolher apenas os primeiros 11 dos 21 sinais para não tornar o artigo maçador e demasiado denso, já que os últimos sinais são, sobretudo, técnicos.


1. A economia nacional está em claro abrandamento, provavelmente em crise e possivelmente em depressão.
Está à vista de todos que, quer o ano passado quando começaram as subidas na Bolsa portuguesa quer actualmente, Portugal vive uma das maiores crises económicas de que há memória.


2. As taxas de juro estão em descida ou, de qualquer modo, baixas.

As taxas de juro estão muito baixas, em mínimos históricos.


3. A Bolsa teve recentemente uma queda acentuada, vindo em declive há largos meses.
De 2007 a 2012, o PSI caiu cerca de 70%, com algumas das principais acções a caírem mais de 90%!


4. O PER médio de mercado é baixo (12 ou menos); o Dividend Yield não é inferior a 3%; O PBV anda pela unidade.
Todos estes rácios fundamentais, actualmente, respeitam os números do autor do artigo. Obviamente que há algumas acções, por exemplo, com um PER superior a 12, mas a maior parte é inferior. O mesmo acontece com os outros rácios.


5. O mercado das obrigações tornou-se pouco atraente.
Nos últimos anos, o mercado obrigacionista explodiu, sobretudo com a crise das dívidas soberanas europeias. A verdade é que, actualmente, os preços do mercado obrigacionista tornaram-se menos atractivos e, quem procura algum risco, terá de procurar outros activos financeiros.


6. Não há Ofertas Públicas de Venda (OPV) mas aparecem Ofertas Públicas de Compra (OPA).
Brisa e Cimpor são exemplos de OPA que surgiram recentemente. Infelizmente, não têm, surgido OPV que tragam novas acções a uma abandonada Bolsa portuguesa. Lá chegará o tempo das vacas gordas em que os empresários quererão colocar as suas empresas em Bolsa para arrecadarem uma pequena fortuna.


7. Bolsas estrangeiras de grande peso, com as quais a Bolsa estudada se relaciona, estão positivas, provavelmente elas próprias encetando uma recuperação.
Alguns dos principais mercados com que a Bolsa portuguesa está relacionada (EUA e Alemanha) já estão há alguns anos numa clara tendência ascendente.


8. Certas acções de empresas mais importantes ou com poder de liderança na Bolsa iniciam subidas notórias.
Depois de algumas subidas fortes no ano passado, este ano está a ser moderado para a maior parte dos títulos portugueses, mas a acção que considero ser o grande barómetro nos "Bear" e "Bull Markets", a Sonae SGPS, já sobe há 15 meses e já se valorizou mais de 150%.


9. Pode ter-se notado um aumento do volume de negócios na Bolsa nos últimos tempos de baixa ou consolidação em baixa.
Neste aspecto, não se notou um aumento de volume, o que contraria este aspecto referido por Braga de Matos como uma das características do início de um "Bull Market".


10. Notou-se a subida relevante de alguns títulos.
Os exemplos não faltam. A Altri duplicou o seu valor e o BPI e a Mota-Engil triplicaram o seu valor em Bolsa. Estes são apenas alguns dos muitos exemplos de subidas muito fortes de alguns títulos.


11. As médias móveis de curto, médio e longo prazo tomam, em conjunto, rumo ascendente.
Este indicador técnico, nos diferentes horizontes temporais, tomou um rumo ascendente já há muitos meses atrás, depois dos primeiros meses de subida da Bolsa portuguesa.

 


Facilmente constatamos que, destes 11 primeiros sinais que Fernando Braga de Matos considerou como relevantes para a identificação do início de um "Bull Market", apenas um não se verifica nas condições actuais.


Por mais estranho que pareça falar-se num "Bull Market" nas condições actuais do país, a verdade é que os sinais estão quase todos lá. Eu mantenho o optimismo que venho manifestando desde o Verão do ano passado, mas preciso da quebra da resistência dos 6400 pontos no PSI e do suporte dos 6,4% nos juros da dívida pública a 10 anos para reforçar ainda mais o meu optimismo.


Há vida além da crise. E é, no meio dela, que nascem os "Bull Markets" que terminam quando os "Telejornais" abrirem com reportagens sobre o dinheiro que os portugueses ganham na Bolsa. Lá chegará o tempo.

 

 

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