Ramon O’Callaghan
Ramon O’Callaghan 18 de dezembro de 2018 às 20:05

Competitividade, formação contínua e escolas de negócios em Portugal

Há alguns meses, o IMD, uma das Escolas de Negócios mais reputadas mundialmente", publicou os resultados do Ranking para a Competitividade Mundial de 2018.

O ranking trouxe boas notícias para Portugal, que viu a sua posição melhorar substancialmente, subindo seis lugares relativamente ao resultado obtido em 2017. No mesmo ranking onde apenas um país registou uma melhoria superior à de Portugal.

 

Cobrindo 63 países, o ranking revela que Portugal está entre os 10 melhores no que diz respeito a fatores de Eficiência Empresarial tais como cultura, flexibilidade, adaptabilidade, força de trabalho feminina e mão de obra qualificada. Portugal também está entre os 10 melhores nos fatores relacionados com Educação, especificamente no que toca a Engenheiros qualificados, licenciados em Ciências e Formação em Gestão. Por outro lado, o país recebe nota menos positiva na Formação dos Empregados, um fator sinalizado como uma fraqueza do país.

 

Outra referência importante para dados sobre a competitividade dos países é o Global Competitiveness Report 2018, do World Economic Forum. O relatório classifica 137 países com base no Índice de Competitividade Global (GCI), que acompanha seu desempenho com base em 12 "pilares" de competitividade. Esses pilares incluem fatores identificados pela investigação como contribuidores para melhorias na produtividade, o principal determinante do crescimento económico e da prosperidade.

  

Neste ranking, Portugal também melhorou a sua posição em relação ao ano passado: de 46 para 42. No pilar Formação e Ensino Superior, a classificação de Portugal é bastante elevada - 34 - (no top 25%), especialmente em três fatores: Qualidade de Sistema de Educação, Qualidade da Formação em Matemática e Ciências, Qualidade de Escolas de Gestão. Mas, por outro lado, na formação de pessoal, a classificação de Portugal volta a ser muito mais baixa, o que é também reportado como uma fraqueza.

 

Esses dois rankings mostram a importância do ensino superior em geral, e das escolas de gestão em particular, como fatores de competitividade de um país. E falando de formação em gestão, vale a pena notar que Portugal é altamente classificado tanto pelo IMD: 8 de 63 (top 13%); como pelo Fórum Económico Mundial: 31 de 137 (top 22%). E isto leva-nos ao "ranking dos rankings": o ranking anual das Escolas de Negócios Europeias, publicado pelo Financial Times, e "a referência" para escolas de negócios. A última edição, o ranking de 2018, inclui quatro escolas de negócios portuguesas: a Católica-Lisbon, a Nova SBE, a Porto Business School e o ISCTE, fazendo de Portugal o quinto país com mais escolas representadas, o mesmo que a Holanda e Espanha. Mas, em termos relativos, considerando o número de escolas de negócios em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) ou o número de escolas de negócios em Portugal em relação à população, Portugal está no topo da Europa.

Os resultados destes rankings (IMD, World Economic Forum e Financial Times) apontam para uma conclusão unânime: a alta qualidade das escolas de negócios portuguesas pelos padrões mundiais. Esta é uma excelente notícia. Mas, por outro lado, os rankings também indicam que a Formação nas organizações está abaixo do padrão. Deveríamos então concluir que os gestores de organizações empresariais, em Portugal, não percebem a importância da formação como fator de produtividade?  Paradoxalmente, se perguntarmos aos gestores e empresários se eles acham que a formação é importante, eles tendem a concordar que é. Mas frequentemente ouvimos que não podem fazer o a formação de que precisam porque não têm tempo. Talvez precisemos reformular a pergunta e perguntar: "Você tem tempo para expandir seus negócios em 10%, ou você tem tempo para evitar dezenas de milhares de euros de erros?" ou "Você tem tempo para reduzir suas hipóteses de fracasso?" Investir em formação de gestão não deve ser visto como um luxo, mas como um investimento necessário para melhorar os negócios e seus resultados financeiros.

 

Nesta época de mudança acelerada e de disrupção tecnológica, para permanecer relevante e incontestado pela informatização e digitalização, a aprendizagem longo da vida é absolutamente crucial. A pesquisa atual moveu crenças passadas de que a capacidade de aprendizagem da mente se degradaria, de forma contínua, com a idade. Em vez disso, desde que sejamos saudáveis, podemos aprender e desenvolver novas competências ao longo de toda a vida. Ao contrário das gerações anteriores (e, francamente, de boa parte dos trabalhadores de hoje), os indivíduos, as empresas e as sociedades precisam agora de planear quer uma aprendizagem recorrente, quer novas aprendizagens durante uma vida ativa cada vez mais crescente. Não falamos de cursos de reciclagem, com durações de 1-3 dias. Estamos a referir-nos a esforços maiores de capacitação, com durações na ordem dos 3-6 meses. E os gestores portugueses não precisam ir muito longe para o conseguir, pois Portugal tem algumas das melhores escolas de negócios da Europa.

 

Porto Business School

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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