Ramon O’Callaghan
Ramon O’Callaghan 20 de novembro de 2018 às 22:12

Competitividade de talentos: onde fica Portugal?

Os fluxos migratórios observados são o resultado de um emaranhado complexo de empresas multinacionais e outros empregadores que buscam talentos escassos e indivíduos em busca das melhores opções.

Trabalhadores altamente qualificados desempenham um papel central na economia do conhecimento atual. Indivíduos talentosos fazem contribuições diretas excecionais - incluindo inovações revolucionárias e descobertas científicas -, coordenam e guiam as ações de muitos outros, impulsionando a fronteira do conhecimento e desencadeando o crescimento económico. Neste processo, a mobilidade de trabalhadores qualificados torna-se crítica para aumentar a produtividade. Quais são as dinâmicas fundamentais do novo mercado global de talentos e por que razão isso importa?

 

Os fluxos migratórios observados são o resultado de um emaranhado complexo de empresas multinacionais e outros empregadores que buscam talentos escassos e indivíduos em busca das melhores opções. E também de governos que tentam administrar esses fluxos com políticas migratórias diversas. O fluxo internacional de talentos está a ser fundamentalmente alterado à medida que as nações investem mais em educação e capital humano. Quais as estratégias que os países implementam para desenvolver, atrair e reter talentos?

 

Para avaliar a este nível o desempenho dos países, o IMD World Talent Ranking, elaborado em parceria com a Porto Business School, estuda três fatores. Em primeiro lugar, o fator "investimento e desenvolvimento", que mede os recursos comprometidos com o desenvolvimento de talentos locais. Em segundo lugar, o fator de "atratividade" que avalia a capacidade de atrair e reter talentos. E terceiro, o fator "prontidão" que quantifica a qualidade das competências disponíveis no banco de talentos.

 

Os resultados do IMD World Talent Ranking 2018 mostram dois critérios que parecem importantes para um bom desempenho: qualidade de vida e presença de mão de obra qualificada. Os resultados do estudo indicam que os melhores desempenhos em competitividade de talentos ocorrem em economias pequenas e médias, com os países europeus a dominar. Países que exibem alto nível de qualidade de vida, juntamente com a disponibilidade de mão de obra qualificada, exibem também altos níveis de competitividade em talentos.

 

Porém, a promoção de uma força de trabalho qualificada é fundamental não apenas para melhorar a competitividade dos talentos, mas também para alcançar a prosperidade sustentável. Justamente então, os decisores políticos estão interessados na relação entre o mercado de talentos e o desempenho das Pequenas e Médias Empresas (PME). A razão é compreensível: a importância das PME para as economias desenvolvidas e emergentes. A OCDE estima que as PME contribuam com cerca de 70% de todos os empregos e geram cerca de 60% do valor acrescentado.

 

Uma preocupação significativa está relacionada com a qualidade das habilitações  e competências da força de trabalho e se elas correspondem à procura do mercado. No IMD Talent Ranking, captámos a presença de competências comercializáveis através do fator "prontidão". Os países que exibem altos níveis de preparação são também os países que são vistos como tendo as PME mais eficientes.

 

Neste "ranking" existem muito boas notícias para Portugal. O país subiu sete posições, da posição 24 para a 17, em 63 países analisados. Em comparação, Espanha ocupa o 31.º lugar, Itália o 32.º e a Grécia o 44.º. Os três primeiros são a Suíça, a Dinamarca e a Noruega.

 

As principais razões para este aumento são mão de obra qualificada (8.ª posição), educação em gestão (8.ª) e competências linguísticas (5.ª). Por outro lado, Portugal tem espaço para melhorar em remuneração (33.ª), na experiência internacional (38.ª) e na formação de colaboradores (48.ª).

 

Mas o verdadeiro desafio não é apenas a qualidade, mas também a quantidade, especialmente em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Portugal ainda não produz talento suficiente para as necessidades das suas próprias empresas e para as novas empresas estrangeiras que está a tentar atrair.

 

Cultivar uma força de trabalho qualificada e suficientemente grande é crucial para fortalecer a competitividade e alcançar a prosperidade a longo prazo. Particularmente no atual cenário dinâmico em que a inteligência artificial, "data science", robótica e outras novas tecnologias redefinem constantemente os desafios que governos, empresas e sociedade em geral terão de enfrentar no futuro.

 

Porto Business School

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

pub

Marketing Automation certified by E-GOI